OpenAI propõe fundo soberano, imposto sobre robôs e semana de trabalho de quatro dias para redistribuir ganhos da IA

A OpenAI divulgou, nesta segunda-feira (6), um conjunto de recomendações de política pública voltadas a equilibrar os impactos econômicos da inteligência artificial. O documento, divulgado em meio à elaboração de um marco regulatório nacional pelo governo Trump e à aproximação das eleições legislativas de meio de mandato, descreve como o crescimento impulsionado por sistemas superinteligentes poderia ser convertido em benefícios mais amplos para a população.

Três objetivos centrais

A empresa, avaliada em US$ 852 bilhões, elenca três metas principais: distribuir a prosperidade gerada pela IA, reduzir riscos sistêmicos e garantir acesso amplo às novas capacidades tecnológicas, evitando concentração excessiva de poder econômico.

Mudança na base tributária

A OpenAI alerta que o avanço da automação tende a reduzir a arrecadação proveniente de salários, usada para financiar programas como Social Security, Medicaid, SNAP e assistência habitacional. Para compensar, sugere:

  • Elevar impostos sobre lucro corporativo, ganhos de capital ou retornos especificamente ligados à IA;
  • Estudar um “imposto sobre robôs”, proposta semelhante à defendida por Bill Gates em 2017, em que cada máquina pagaria o equivalente ao tributo recolhido pelo trabalhador substituído.

A companhia não define alíquota, mas lembra que a taxa federal sobre lucro das empresas caiu de 35% para 21% no primeiro mandato de Donald Trump.

Fundo público de riqueza

Entre as sugestões está a criação de um Public Wealth Fund que daria a todos os norte-americanos participação automática em empresas e infraestrutura de IA, mesmo sem investimento direto. Os rendimentos seriam repassados aos cidadãos, tentativa de compartilhar ganhos de mercado que muitos ainda não veem refletidos em suas rendas.

Quatro dias de trabalho

No campo trabalhista, a OpenAI recomenda subsidiar uma semana de quatro dias sem redução salarial. O texto também incentiva que empresas ampliem contrapartidas para aposentadoria, arquem com fatia maior dos planos de saúde e ajudem no custeio de cuidados infantis ou de idosos. A responsabilidade pelo financiamento dessas medidas, segundo a empresa, deveria recair majoritariamente sobre o setor privado.

Para empregados que mudam de posto ou atuam em plataformas, a organização propõe contas portáteis de benefícios, mas evita defender cobertura universal totalmente bancada pelo governo.

Segurança e infraestrutura

Reconhecendo riscos que vão além da perda de empregos — como uso mal-intencionado por governos ou criminosos e possibilidade de sistemas fora de controle humano —, a OpenAI indica:

OpenAI propõe fundo soberano, imposto sobre robôs e semana de trabalho de quatro dias para redistribuir ganhos da IA - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

  • Planos de contenção para IA perigosa;
  • Órgãos de supervisão dedicados;
  • Salvaguardas contra ciberataques e ameaças biológicas.

A empresa também vê a IA como “serviço essencial” e defende ampliar a infraestrutura elétrica, conceder subsídios, créditos tributários ou participação acionária para acelerar a construção de data centers, mantendo o custo de acesso baixo e evitando monopólios.

Contexto competitivo

O posicionamento surge seis meses depois de a rival Anthropic divulgar plano semelhante. Fundada como organização sem fins lucrativos e convertida em sociedade com fins lucrativos no ano passado, a OpenAI cita precedentes históricos — como o New Deal — para argumentar que a era da superinteligência exigirá política industrial ainda mais ambiciosa.

Entre os apoiadores da abordagem mais flexível em relação à regulamentação estão o presidente da OpenAI, Greg Brockman — que doou milhões à campanha de Donald Trump — e outros bilionários do setor de tecnologia, responsáveis por aportes substanciais em super PACs alinhados a políticas “light-touch”.

Segundo o documento, “entramos em uma nova fase de organização econômica e social que remodelará trabalho, conhecimento e produção”, exigindo a criação de instituições capazes de “garantir que a superinteligência beneficie a todos”.

Com informações de TechCrunch

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