São Francisco (EUA) – O Founders Fund, capitaneado pelo bilionário Peter Thiel, liderou uma rodada Série E de US$ 220 milhões na Halter, startup neozelandesa que desenvolve coleiras inteligentes movidas a energia solar para manejar rebanhos por meio de cercas virtuais. O investimento, concluído no mês passado, elevou a avaliação da empresa a US$ 2 bilhões.
Fundada há nove anos pelo engenheiro Craig Piggott, hoje com 30 anos, a Halter combina coleiras solares, torres de baixa frequência e um aplicativo móvel que permite ao pecuarista criar cercas digitais, monitorar cada animal 24 horas por dia e deslocar o rebanho sem sair da sede da fazenda. Vacas e bois aprendem a obedecer aos sinais sonoros e às vibrações emitidas pelo dispositivo normalmente após três interações, segundo o executivo.
A solução vai além do pastoreio. Por coletar dados comportamentais continuamente, a coleira também indica ciclos de fertilidade, identifica possíveis doenças e acompanha o estado de saúde dos animais. Atualmente na quinta geração de hardware, a Halter testa um módulo específico para reprodução com clientes dos Estados Unidos.
Escala e retorno financeiro
Mais de 1 milhão de cabeças de gado em mais de 2.000 propriedades na Nova Zelândia, Austrália e em 22 estados norte-americanos já utilizam o sistema. A empresa afirma que a tecnologia pode aumentar a produtividade da terra em até 20%, não apenas por reduzir mão de obra, mas principalmente por otimizar o aproveitamento do pasto; em alguns casos, a produção chega a dobrar.
Com cerca de US$ 400 milhões captados desde a fundação, a Halter planeja acelerar a expansão nos Estados Unidos, América do Sul e Europa. O mercado potencial ainda é vasto: são aproximadamente 1 bilhão de bovinos no mundo, enquanto a startup cobre apenas uma fração desse total e menos de 10% do rebanho em seu país de origem.

Imagem: Internet
Competição e desafios
A companhia enfrenta concorrentes como a farmacêutica Merck, que oferece o sistema de cerca virtual Vence, e a emergente Grazemate, que propõe conduzir rebanhos com drones autônomos. Para Piggott, porém, o maior obstáculo continua sendo a resistência do produtor a mudar os métodos tradicionais.
O aporte reforça a estratégia do Founders Fund de apostar em negócios considerados “do zero ao um”, isto é, que criam categorias inteiramente novas. O portfólio do fundo inclui nomes como Facebook, SpaceX e Palantir.
Com informações de TechCrunch







