Após mais de três décadas analisando vírus de computador, trojans e outros códigos maliciosos, o finlandês Mikko Hyppönen, 55, decidiu voltar suas habilidades para um novo alvo: veículos aéreos não tripulados. Desde meados de 2025, o especialista é chief research officer da Sensofusion, empresa de Helsinque que desenvolve sistemas antidrones para forças de segurança e militares.
Hyppönen anunciou a guinada durante sua palestra principal na conferência Black Hat, em Las Vegas, em 2025. No palco, ele comparou o trabalho em cibersegurança ao jogo Tetris: “Nossos sucessos somem; os fracassos se acumulam”, disse, destacando que, quando a proteção funciona, “nada acontece” — e, portanto, passa despercebida.
Da era dos disquetes à guerra na Ucrânia
O especialista iniciou a carreira no fim dos anos 1980, quando malwares eram distribuídos por disquetes e quase ninguém tinha acesso à internet. Ele calcula ter investigado “milhares” de amostras desde então, incluindo o verme ILOVEYOU, descoberto por sua equipe em 2000, que infectou mais de 10 milhões de computadores Windows ao se espalhar por e-mail.
Com a profissionalização do crime digital, a criação de vírus por “diversão” praticamente desapareceu. Hoje, ferramentas de invasão de iPhones ou navegadores podem custar milhões de dólares, limitando-as a governos, observou Hyppönen. O próprio setor de defesa digital movimenta cerca de US$ 250 bilhões, segundo estimativas citadas pelo pesquisador.
Nova frente: neutralizar aeronaves remotas
Morando a duas horas da fronteira finlandesa com a Rússia — país que mantém ofensiva militar na Ucrânia desde 2022 —, Hyppönen afirma sentir a ameaça dos drones de perto. “É mais significativo lutar contra as máquinas de hoje e de amanhã”, declarou, lembrando que serve na reserva das Forças Armadas da Finlândia.

Imagem: Internet
Na Sensofusion, a estratégia repete conceitos do antivírus tradicional: coletar amostras IQ de frequências de rádio para criar “assinaturas” capazes de identificar modelos desconhecidos de drones. Uma vez detectado o protocolo de controle, é possível bloquear sinais ou explorar falhas que façam o aparelho cair, explicou o executivo.
Para ele, o jogo de gato e rato continua o mesmo. “Passei grande parte da carreira enfrentando ataques russos de malware. Agora, combato drones russos”, resumiu.
Com informações de TechCrunch







