O investidor Antonio Gracias, fundador da Valor Equity Partners, afirmou estar em busca de empresas “proentrópicas” — termo que ele próprio criou para definir startups estruturadas para crescer em meio a instabilidade. A declaração foi feita durante o Upfront Summit 2026, realizado em Los Angeles.
Segundo Gracias, a inspiração vem da física, onde entropia representa o aumento inevitável da desordem em um sistema. Para ele, negócios proentrópicos incorporam essa lógica: reconhecem que conflitos geopolíticos, mudanças climáticas e avanços tecnológicos tendem a gerar cenários imprevisíveis e, ainda assim, conseguem se beneficiar dessas condições.
O gestor contou que começou a refletir sobre o conceito em 2013, quando observou o avanço da desglobalização aliado a transformações tecnológicas capazes de alterar “todas as estruturas de poder” no mundo. “O planeta caminha para o caos desde pelo menos o fim do século passado, com populações maiores e tecnologia evoluindo”, declarou.
Exemplos e estratégia
Gracias citou a SpaceX, empresa do portfólio da Valor Equity Partners, como exemplo de organização que incorpora pensamento probabilístico para lidar com mudanças abruptas. “Não se trata apenas do mercado atual. A estratégia e as equipes já consideram que tudo pode mudar a qualquer instante”, explicou.
Ele também mencionou a Tesla ao abordar a interseção entre clima, energia e hardware. Para o investidor, é possível desenvolver soluções robustas “com pouca computação”, desde que haja integração eficiente entre software e hardware.

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Inteligência artificial e futuro do trabalho
Na análise de Gracias, o temor de que a inteligência artificial gere demissões em massa e instabilidade social é exagerado. O investidor projeta que, nos próximos cinco a dez anos, ferramentas low-code e no-code permitirão a um número muito maior de pessoas criar empresas, elevando a produtividade global. “Quem sabe o que elas vão construir?”, questionou.
Para ele, o resultado — utópico ou distópico — dependerá das escolhas coletivas feitas a partir de agora. “Se quisermos construir um mundo melhor, será preciso coragem moral”, concluiu.
Com informações de TechCrunch







