São Francisco (EUA) – A Anthropic protocolou na tarde de sexta-feira (20) duas declarações juramentadas em um tribunal federal da Califórnia, rebatendo a alegação do Departamento de Defesa (DoD) de que a empresa de inteligência artificial representaria “risco inaceitável” à segurança nacional.
Os depoimentos, anexados à réplica da companhia em processo movido contra o governo dos EUA, antecedem a audiência marcada para terça-feira, 24 de março, perante a juíza Rita Lin, em São Francisco.
Origem do impasse
A disputa começou no fim de fevereiro, quando o presidente Donald Trump e o secretário de Defesa Pete Hegseth anunciaram o rompimento com a Anthropic após a empresa recusar uso militar irrestrito de sua tecnologia de IA.
Declarações juramentadas
Assinam os documentos Sarah Heck, chefe de Políticas da Anthropic, e Thiyagu Ramasamy, responsável pelo setor público. Ex-membro do Conselho de Segurança Nacional no governo Obama, Heck participou da reunião de 24 de fevereiro entre o CEO Dario Amodei, Hegseth e o subsecretário de Defesa Emil Michael.
Heck afirma que o governo apresentou “falsa premissa” ao dizer que a Anthropic exigiu poder de veto sobre operações militares. “Em nenhum momento eu ou qualquer funcionário da Anthropic solicitamos tal papel”, declarou. Ela acrescenta que a preocupação do Pentágono sobre eventual desativação do sistema em meio a missões nunca foi levantada nas negociações; surgiu somente nos autos judiciais.
Outro ponto destacado por Heck é um e-mail de 4 de março, um dia após o DoD oficializar a designação de risco na cadeia de suprimentos contra a empresa. Na mensagem, o subsecretário Michael informa a Amodei que as partes estavam “muito próximas” de consenso justamente sobre armas autônomas e vigilância em massa de cidadãos norte-americanos – os dois temas que agora fundamentam a acusação de ameaça à segurança nacional.

Imagem: Getty
Aspecto técnico
No segundo depoimento, Ramasamy – ex-Amazon Web Services e responsável por integrar o modelo Claude a ambientes classificados, incluindo contrato de US$ 200 milhões com o Pentágono anunciado no último verão – sustenta que a Anthropic não tem meios de interferir em operações militares. Segundo ele, após a implantação em sistema isolado (“air-gapped”) administrado por contratada terceirizada, não há “kill switch”, backdoor ou canal para atualizações não autorizadas. Qualquer modificação exigiria aprovação explícita e ação do próprio DoD, reforçou.
Ramasamy também contesta o argumento de que a contratação de estrangeiros constituiria risco. Ele diz que funcionários da Anthropic passaram pelo mesmo processo de autorização de segurança aplicado a quem lida com informações classificadas e afirma crer que a empresa é a única no setor de IA cujo time autorizado construiu modelos voltados a ambientes sigilosos.
Processo em curso
A Anthropic sustenta que a designação de risco na cadeia de suprimentos – a primeira já aplicada a uma companhia norte-americana – foi retaliação a posicionamentos públicos sobre segurança da IA, violando a Primeira Emenda. O governo, em manifestação de 40 páginas apresentada na segunda-feira (16), refuta a tese: diz que a recusa da empresa em permitir todos os usos militares lícitos é decisão comercial, não discurso protegido, e que a medida se baseia unicamente em critérios de segurança nacional.
Com informações de TechCrunch







