São Francisco (EUA) – A Ascend Elements deu início ao processo de falência sob o Capítulo 11 da legislação norte-americana nesta sexta-feira (10), segundo comunicado divulgado pelo diretor-executivo Linh Austin em sua conta no LinkedIn na noite de quinta-feira. A medida representa um revés para os investidores, que já tinham aportado cerca de US$ 900 milhões na companhia.
A empresa, especializada em reciclagem de baterias de íon-lítio, alegou “desafios financeiros intransponíveis” para justificar o pedido. A situação foi agravada pela retração recente do mercado de veículos elétricos (EVs) nos Estados Unidos e pelo cancelamento, pelo governo Trump, de uma subvenção federal de US$ 316 milhões destinada à construção de uma fábrica no Kentucky. Desse montante, US$ 204 milhões chegaram a ser liberados, mas o corte obrigou a Ascend a buscar capital adicional.
A procura por EVs no país perdeu fôlego após o fim de créditos fiscais em setembro do ano passado. Analistas afirmam que parte dos consumidores antecipou as compras para aproveitar o benefício, reduzindo a demanda neste ano. Diante desse cenário, diversas montadoras reavaliaram seus programas de eletrificação; a Volkswagen, por exemplo, encerrou recentemente a produção do utilitário elétrico ID.4 em Chattanooga (Tennessee) e retomou o foco no SUV a gasolina Atlas.
A Ascend desenvolveu um método para extrair minerais críticos de sucata e baterias fora de uso, simplificando a conversão do material triturado em precursores de novos cátodos. O projeto de uma planta de cerca de 93 mil metros quadrados no Kentucky, porém, enfrenta atrasos e ações judiciais, conforme relatos locais.
O setor de reciclagem de baterias é altamente competitivo. Fabricantes chineses, sustentados por programas estatais, dominam o mercado e pressionam custos. Rivais como a Redwood Materials passaram a reaproveitar módulos completos em sistemas de armazenamento estacionário, diversificando a receita enquanto mantêm as atividades de reciclagem.

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Com o pedido de proteção judicial, a Ascend Elements buscará reestruturar dívidas e operações para tentar permanecer no mercado.
Com informações de TechCrunch







