O avanço da colheita do café arábica no Brasil continua lento. Levantamento da consultoria Safras & Mercado indica que, até a última semana, 29% da safra 2026 havia sido retirada dos cafezais. O índice fica abaixo dos 34% registrados no mesmo período de 2025 e da média histórica dos últimos cinco anos, de 30%.
Excesso de umidade trava o trabalho no campo
Ao contrário do conilon, que sofreu com a falta de chuvas, o arábica enfrenta o problema oposto. As precipitações nas principais áreas produtoras, especialmente na Serra do Caparaó, no Espírito Santo, têm dificultado o uso de máquinas e alongado o período de secagem dos grãos.
No estado capixaba, a colheita foi aberta oficialmente em 26 de maio, no Sítio Toinzé, em Iúna. As estimativas do governo apontam para uma produção entre 4,4 e 5 milhões de sacas, mas a umidade persistente compromete o ritmo em municípios como Iúna, Ibitirama, Muniz Freire, Alegre e Venda Nova do Imigrante.
Impacto operacional e na qualidade
Segundo agentes do setor, a chuva provoca dois efeitos principais. O primeiro é operacional: máquinas colhedoras enfrentam dificuldades em terrenos encharcados e o tempo de secagem dos grãos aumenta nos terreiros ou secadores. O segundo é qualitativo: frutos colhidos úmidos ficam mais suscetíveis à fermentação indesejada e à perda de peneira, o que reduz o valor de mercado. Alguns relatos já apontam qualidade média ligeiramente inferior à da temporada anterior.
Preços reagem à menor oferta
Com menos café novo disponível, as cotações se mantêm firmes. O indicador Cepea/Esalq para o arábica atingiu R$ 1.474,18 por saca na semana passada. Embora o grão acumule queda de 5,24% em junho, houve repique de 4,38% nos últimos dias, reflexo direto das incertezas climáticas e do atraso na oferta.

Imagem: Internet
Conilon avança sem obstáculos
Para o conilon o cenário é distinto. A colheita do canéfora alcançou 59% da produção nacional, superando ligeiramente os 58% de 2025 e a média histórica do período. No Espírito Santo, maior produtor do país, o clima seco favorece o ritmo acelerado dos trabalhos.
Orientação ao produtor
Especialistas recomendam que os cafeicultores de arábica monitorem as janelas de tempo firme, priorizem áreas com maior maturação e evitem entrar em lavouras ainda molhadas. A secagem adequada é decisiva para preservar peneira e qualidade, fatores que influenciam diretamente no preço final.
Com informações de Folha Vitória













