Anthropic se torna a primeira startup de IA a integrar a coalizão Frontier de remoção de carbono

A Anthropic anunciou nesta segunda-feira (17) sua entrada na Frontier, coletivo que financia projetos de remoção de carbono. A companhia de inteligência artificial aportará US$ 915 milhões em um novo lote de recursos, tornando-se a primeira startup focada exclusivamente em IA a participar da iniciativa.

Com a nova rodada, os compromissos financeiros com a Frontier praticamente dobram, chegando a US$ 1,8 bilhão. Desde 2022, o grupo já firmou contratos que somam quase US$ 700 milhões com mais de 50 projetos, destinados à retirada de 1,8 milhão de toneladas de CO₂ da atmosfera.

As empresas que integram a Frontier utilizam os créditos de remoção de carbono para compensar emissões que ainda não conseguem eliminar. Google é membro fundador do coletivo, mas a entrada da Anthropic marca a primeira adesão de uma empresa de IA “pura”.

Até agora, a Anthropic não havia firmado compromissos climáticos públicos nem divulgado relatório de sustentabilidade. A companhia vinha declarando adotar uma estratégia “de todas as fontes” de energia, expressão que costuma envolver a compra de eletricidade de matriz fóssil. A adesão à Frontier indica possível mudança de postura.

Rigor maior nos próximos contratos

Criada por Stripe, Google e Shopify, entre outras, a Frontier avalia tecnologias e assina contratos de longo prazo com empresas capazes de capturar CO₂. Na ampliação anunciada, o consórcio informou que passará a selecionar menos projetos, priorizando aqueles com potencial de remover 1 gigatonelada (1 bilhão de toneladas) de CO₂ por ano. Os novos acordos deverão ter duração de oito a dez anos.

Desde o lançamento, a Frontier apostou em diferentes soluções, como captura direta de ar, intemperismo de rochas, bio-óleo, antácidos oceânicos e bioenergia acoplada a sequestro de carbono. A mudança para aportes maiores em menos iniciativas segue tendência observada em outros compradores expressivos de créditos, como a Microsoft.

Para assinar contratos futuros, as empresas de remoção terão de apresentar caminhos claros para obter subsídios ou apoio governamental. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirma que tecnologias de captura serão necessárias para atingir emissões líquidas zero, mas o financiamento de longo prazo ainda depende, em grande parte, de políticas públicas. A Frontier pretende firmar contratos até 2040.

Com informações de TechCrunch

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