São Francisco (EUA) – O investidor Chi-Hua Chien, cofundador da Goodwater Capital e um dos primeiros a identificar o potencial do então nascente Facebook em 2005, afirma que a maior fatia de valor na atual corrida pela inteligência artificial ficará com empresas que usam a tecnologia para personalizar serviços, e não com quem comercializa os próprios modelos.
Infraestrutura x aplicações
Segundo Chien, ciclos anteriores de tecnologia apontam para a comoditização da camada de infraestrutura. Ele cita que, na era da web, novos provedores de infraestrutura somaram cerca de US$ 400 bilhões em valor de mercado, enquanto aplicativos geraram US$ 3,1 trilhões – cerca de 88% do total. No ciclo móvel, o padrão se repetiu: US$ 700 bilhões contra US$ 3,7 trilhões, respectivamente.
Para ele, sinais de guerra de preços já aparecem: o Google reduziu recentemente sua assinatura de IA de US$ 7,99 para US$ 4,99 ao mês, duplicando o espaço de armazenamento incluso.
Personalização no centro
Chien avalia que a hiperpersonalização será o diferencial competitivo. Em seu portfólio, empresas de entretenimento como Triumph, Ritten e Flow GPT alcançam entre US$ 100 milhões e US$ 600 milhões em receita anual recorrente ao usar IA para adaptar conteúdo a cada usuário. No setor de saúde, a Midi Health expande a oferta de tratamento hormonal a mulheres na menopausa usando modelos de IA para suprir a escassez de especialistas.
Modelos locais cada vez mais próximos dos de ponta
O investidor estima que a defasagem entre os melhores modelos em nuvem e os que rodam em smartphones, antes de 18 a 24 meses, caiu para cerca de seis meses e deve chegar a três meses até meados do próximo ano.
Tendências no capital de risco
Chien observa que fundos maiores se tornaram autossuficientes, reduzindo a necessidade de sindicação e, consequentemente, a “etiqueta” entre investidores. Ele também vê prevalecer rodadas relâmpago, nas quais startups captam dois aportes em questão de semanas a valores crescentes, reflexo de demanda superior à oferta de participação.

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Super-apps e a barreira da confiança
Ao comentar as tentativas do Facebook de integrar serviços financeiros – Facebook Credits (2009), Facebook Pay e Libra – Chien atribui o insucesso a um “fosso de confiança” entre produtos de entretenimento e finanças. Enquanto redes sociais exigem alto tempo de uso com baixa monetização por usuário, bancos dependem de interações rápidas, porém com valor elevado e segurança absoluta, explicou.
Volta ao mundo físico
Em contrapartida ao excesso de conteúdo digital, Chien aposta em negócios que estimulam encontros presenciais. A Goodwater investe na francesa Bump, criada pelos fundadores da Zenly, que combina dados digitais para facilitar conexões no mundo real, e na Fever, plataforma de eventos sediada em Londres e Madri que começou com concertos à luz de velas e experiências temáticas como a “Bridgerton Experience”.
Com informações de TechCrunch













