A NASA contratou a Relativity Space, companhia de foguetes adquirida pelo ex-presidente do Google, Eric Schmidt, para desenvolver, lançar e conduzir uma espaçonave até Marte em 2028. O acordo, anunciado nesta terça-feira (17), segue o mesmo modelo de parcerias comerciais já adotado pela agência em programas de carga para a Estação Espacial Internacional e em pousos na Lua.
Batizada de Aeolus, a missão levará quatro instrumentos de observação que devem fornecer, pela primeira vez, medições diárias e globais de poeira, ventos e temperatura na atmosfera marciana. Segundo a NASA, esses dados serão cruciais para aumentar a segurança de sondas e, futuramente, de astronautas que pousarem no planeta vermelho.
“Ao combinar instrumentos de classe mundial com a inovação e o investimento do setor privado, entregamos mais ciência em menos tempo e ampliamos os preparativos para missões humanas a Marte”, afirmou o administrador da agência, Jared Isaacman, em comunicado.
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Contrato sem valor divulgado
Nem a NASA informou o custo do contrato, nem a Relativity Space respondeu aos questionamentos sobre o valor. No formato adotado, a empresa arca com parte dos custos de desenvolvimento em troca de ampliar suas oportunidades comerciais, enquanto a agência reduz o impacto no orçamento federal.
Empresa ainda sem histórico de sucesso
A aposta envolve riscos: a Relativity ainda não validou seus veículos em voo. O primeiro foguete da companhia, Terran-1, falhou durante o lançamento em março de 2023. A empresa então concentrou esforços no Terran R, modelo de maior porte, mas enfrentou dificuldades de financiamento até Schmidt assumir o controle e a presidência em 2025.
Fundada em 2015 por ex-engenheiros da SpaceX e da Blue Origin, a Relativity utiliza extensivamente impressão 3D para reduzir custos de produção. Desde a entrada de Schmidt, o empresário tem sinalizado interesse em data centers orbitais e em lançar o telescópio espacial Lazuili, apoiado por sua fundação Schmidt Sciences.

Imagem: Getty
Possível “ultrapassagem” em Elon Musk
Caso a Aeolus decole no prazo e complete a viagem, a Relativity pode se tornar a primeira empresa privada a chegar a Marte — um feito que nem a SpaceX, de Elon Musk, alcançou até hoje. A expectativa de demanda por novos foguetes, impulsionada por atrasos da Blue Origin, também pode favorecer a aposta de Schmidt no setor.
A iniciativa demonstra, contudo, que o mercado para serviços comerciais além da órbita terrestre ainda é incerto. Parcerias anteriores da NASA com startups resultaram em falências ou pousos malsucedidos na Lua, reforçando que o caminho rumo ao espaço profundo continua repleto de desafios técnicos e financeiros.
Com informações de TechCrunch









