A produção brasileira de petróleo deverá figurar entre as maiores responsáveis pela ampliação da oferta mundial nos próximos anos, indica o relatório World Oil Outlook (WOO) divulgado nesta quinta-feira, 18, pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
De acordo com o documento, Brasil, Catar, Argentina e Canadá liderarão o crescimento dos produtores que não integram a Declaração de Cooperação (DoC), grupo formado pelos países da Opep e seus aliados.
Projeções de oferta
A Opep estima que a disponibilidade de líquidos fora da DoC aumentará cerca de 4,1 milhões de barris por dia (bpd) até 2030, alcançando 58,2 milhões de bpd. A expansão virá principalmente dos quatro países citados e de novos produtores africanos.
No caso brasileiro, a produção de petróleo bruto deve subir de 3,7 milhões de bpd em 2025 para 4,4 milhões de bpd em 2030, impulsionada pela entrada de novas plataformas e pelo desenvolvimento de campos do pré-sal em águas ultraprofundas.
Revisão nos Estados Unidos
O relatório também revisa para baixo o potencial de crescimento do petróleo de xisto nos Estados Unidos, agora visto como atingindo o pico em 2025. No estudo anterior, a Opep projetava avanço até 2030. Com isso, a participação norte-americana no incremento da oferta fora da DoC diminuiu, abrindo espaço para maior relevância do Brasil.
Crescimento de longo prazo
Entre 2025 e 2050, o Brasil deve ser o segundo maior contribuinte para o aumento da produção entre os países fora da DoC. A Opep calcula que o volume de líquidos brasileiro chegará a aproximadamente 5,8 milhões de bpd no início da década de 2040, recuando levemente para 5,6 milhões de bpd em 2050.
Para a América Latina como um todo, a entidade projeta participação de quase 75% no acréscimo líquido de oferta dos produtores fora da DoC até 2050, puxada por Brasil e Argentina.
Demanda segue em alta
A Opep prevê que o consumo global de petróleo crescerá de 105,1 milhões de bpd em 2025 para 124,1 milhões de bpd em 2050, superando a estimativa de 122,9 milhões apresentada no relatório do ano passado. Para 2030, a projeção passou de 112,3 milhões para 113,3 milhões de bpd.

Imagem: Fernando Frazão
Grande parte desse avanço virá de economias fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), cuja demanda deve aumentar 26,9 milhões de bpd entre 2025 e 2050. Já nas nações da OCDE, o consumo tende a cair após um leve crescimento até o fim desta década.
A Índia desponta como o principal motor da procura mundial, com incremento de 8,1 milhões de bpd até 2050. Também são esperados aumentos relevantes em países emergentes da Ásia, Oriente Médio, África e América Latina.
Produtos mais procurados
Derivados ligados ao transporte e à indústria liderarão o consumo: querosene de aviação e combustível de jato devem avançar 4,2 milhões de bpd, seguidos por diesel e gasóleo (3,8 milhões), GLP/etano (3,5 milhões), nafta (3,2 milhões) e gasolina (2,4 milhões).
Mesmo diante da transição energética, a Opep projeta que o petróleo seguirá como a principal fonte individual da matriz energética mundial em 2050, respondendo por cerca de 30% da demanda total.
Fim.
Com informações de Folha Vitória











