Estufas dominam cultivo de tomate e mudam paisagem da Serra Capixaba

As encostas de Afonso Cláudio, Domingos Martins, Alfredo Chaves e Venda Nova do Imigrante, polos da tomaticultura no Espírito Santo, trocam as tradicionais lavouras a céu aberto por fileiras de estruturas brancas. A adoção de estufas, antes restrita a poucos produtores, tornou-se regra na última década e agora define o modelo produtivo na Serra Capixaba.

O agrônomo Hélcio Costa, que acompanha a atividade há décadas, afirma que o cultivo em campo aberto perdeu viabilidade econômica. “Quem permanece fora do ambiente protegido sente cada vez mais dificuldade para se manter”, observa.

Clima pressiona mudança

O inverno de 2026, marcado por variações bruscas de temperatura, evidenciou a vulnerabilidade das plantações expostas. Nas estufas, entretanto, o controle térmico mantém o interior entre 24 °C e 26 °C, protegendo a floração e reduzindo quedas de frutos.

Redução de defensivos e ganho de qualidade

Pesquisas da Embrapa indicam que o uso de fungicidas em ambiente protegido pode cair mais de 90% em relação ao sistema convencional. Herbicidas e nematicidas praticamente deixam de ser necessários. Em lavouras abertas, cada ciclo exige de 60 a 80 aplicações de defensivos; nas estufas, o número cai para 8 a 10.

Com menor contaminação e exposição de trabalhadores, o fruto chega ao mercado mais uniforme, com vida pós-colheita ampliada e menor perda no transporte. Esse padrão atende à demanda de redes varejistas e atacadistas que pagam mais por produtos rastreáveis e regulares.

Custo maior, retorno distribuído

A instalação das estufas envolve investimento inicial alto, incluindo estrutura metálica, sistema de irrigação e manejo técnico especializado. O gasto, porém, é compensado ao longo dos ciclos por menores despesas com defensivos, redução de perdas climáticas, melhoria de preço de venda e previsibilidade de produção, segundo produtores da região.

Produção capixaba em números

O Espírito Santo ocupa a sétima posição no ranking nacional de tomate, com valor de produção estimado em R$ 559 milhões, conforme o IBGE. Afonso Cláudio responde por 15,83% desse volume estadual, seguido de Domingos Martins, Santa Maria de Jetibá, Alfredo Chaves e Venda Nova do Imigrante — municípios onde a migração para as estufas avança safra após safra.

Para Hélcio Costa, o novo modelo já se consolidou: “A mudança é definitiva”.

Com informações de Folha Vitória

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes

Compartilhe como preferir

Copiar Link
WhatsApp
Facebook
Email