A Anthropic atravessa um período movimentado. Dados da fintech Ramp indicam que, em maio, a desenvolvedora de inteligência artificial superou a OpenAI pela primeira vez na participação de gastos corporativos com assinaturas de IA.
No fim do mesmo mês, a empresa captou US$ 65 bilhões, atingindo avaliação de mercado de US$ 965 bilhões, e registrou seu primeiro trimestre lucrativo. Em seguida, encaminhou pedido confidencial de oferta pública inicial (IPO).
Pressão da Casa Branca
Na sexta-feira, a administração Trump enviou carta exigindo que a Anthropic impedisse estrangeiros — inclusive funcionários — de acessar seus modelos mais avançados: o Mythos 5, liberado apenas para usuários restritos, e o Fable 5, tornado público três dias antes. A medida obrigou a companhia a retirar ambos do mercado.
O governo citou uma diretriz de controle de exportações, sem detalhar o motivo. Nos bastidores, comenta-se que hackers teriam burlado as salvaguardas do Fable 5, alcançando funções equivalentes às do Mythos. O modelo é considerado tão eficiente na detecção de falhas de segurança que a própria Anthropic o classificou como potencialmente perigoso.
Histórico de atritos
Em março, após a Anthropic negar uso de suas tecnologias para vigilância em massa de norte-americanos e para armas totalmente autônomas, Washington rotulou a empresa como risco à cadeia de suprimentos. Mesmo assim, a procura corporativa continuou crescendo.
Números em alta
Segundo Ara Kharazian, economista-chefe da Ramp, a controvérsia pode até favorecer a companhia. “O melhor mês da Anthropic, em termos de adoção empresarial, foi justamente quando o Departamento de Defesa a classificou como risco”, afirmou.
Entre mais de 70 mil clientes da plataforma financeira, a participação da Anthropic em assinaturas de IA subiu 2,5 pontos percentuais em maio, chegando a 41%. A OpenAI ficou com 39,5%, praticamente estável. No segmento de consumo, porém, a OpenAI segue à frente, conforme a Sensor Tower.

Imagem: Getty
Os principais desembolsos das empresas são referentes a chamadas de API, utilizadas para tarefas como geração de código. O Claude Code, solução da Anthropic, é bem-avaliado nesse nicho.
Quando a Ramp consegue identificar o modelo usado — algo possível em cerca de um terço das transações — predominam versões do Claude Opus, sucessor do Mythos que permanece disponível. No fim de maio, a Anthropic lançou o Opus 4.8.
Impacto no IPO ainda indefinido
O Mythos foi disponibilizado a poucos usuários em abril, e o Fable 5 ficou ativo apenas alguns dias. Não se sabe como o impasse com a Casa Branca influenciará a estreia da companhia na bolsa, mas, até o momento, os modelos abertos continuam ganhando espaço entre clientes empresariais.
Com informações de TechCrunch












