O dólar iniciou a semana passada cotado a R$ 5,16, menor valor desde 2024, e mudou o cenário financeiro do agronegócio capixaba. Exportadores de café, pimenta-do-reino, gengibre e mamão recebem menos em reais pelas vendas externas, enquanto a conta de fertilizantes importados fica mais barata.
Receita em reais encolhe
Produtos como café conilon, pimenta-do-reino e gengibre são negociados em dólar no mercado internacional. Com o real valorizado, cada dólar convertido rende menos. Em 2024, quando a moeda norte-americana superou R$ 6,20, a diferença chegava a R$ 150 a R$ 200 por saca de café exportada. Hoje, o conilon tipo 7 varia entre R$ 880 e R$ 900 a saca, o menor preço em dois anos, pressionado pela oferta global e pela concorrência do Vietnã.
A mesma dinâmica atinge a pimenta-do-reino. Entre janeiro e abril de 2026, o Espírito Santo embarcou US$ 158,8 milhões da especiaria, 17,5% da pauta agro estadual. Com o câmbio atual, a conversão para reais resulta em faturamento menor do que o obtido dois anos atrás. O gengibre gerou US$ 40,4 milhões em vendas externas em 2025, e o mamão, US$ 32,3 milhões no mesmo período, também impactados pela taxa de câmbio mais baixa.
Custo dos insumos recua
Do lado das despesas, o câmbio valorizado favorece quem ainda precisa comprar defensivos e adubos. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes consumidos e, cotados em dólar, esses insumos ficam mais baratos quando o real ganha força. Travar preços agora pode reduzir significativamente o custo da safra 2026/27.
Por que o real está forte
A combinação de juros elevados, inflação sob controle, maior previsibilidade da política monetária interna e a perda de fôlego do dólar no exterior sustenta a moeda brasileira. Analistas lembram que o quadro pode se inverter em caso de instabilidade geopolítica, deterioração fiscal ou mudança no fluxo de capitais.

Imagem: Internet
Para o produtor capixaba, a taxa de câmbio atual exige decisões: considerar hedge cambial para parte da receita de exportação e aproveitar a janela de preços mais baixos de insumos antes que o mercado volte a se mexer.
Com informações de Folha Vitória











