A reforma tributária em fase de implementação deve alterar profundamente a forma como empresas e governos estaduais disputam investimentos no Brasil. A análise é do economista Orlando Caliman, que aponta o fim dos incentivos fiscais como eixo central da mudança.
Empresas repensam operações
Segundo Caliman, o novo sistema de tributação sobre o consumo — baseado na não cumulatividade — exigirá ajustes em localização de unidades, logística, suprimento de insumos, política comercial, gestão financeira e até estruturas societárias.
Com a diminuição do efeito cascata dos tributos, cadeias de suprimento tendem a ser redesenhadas. A escolha de fornecedores passará a privilegiar eficiência, produtividade, inovação e integração. Além disso, a administração de créditos tributários ganhará peso direto nos resultados econômicos.
Logística e acesso a mercados
A busca por eficiência logística ocorrerá em duas frentes: otimização das cadeias de suprimento e melhoria do acesso aos mercados consumidores. Empresas hoje ancoradas em incentivos fiscais deverão rever rotas e centros de distribuição, já que esses benefícios serão extintos ao fim do período de transição.
Novo perfil dos investimentos
Sem benefícios tributários como principal atrativo, os investimentos devem se concentrar em locais com infraestrutura de qualidade, proximidade de consumidores, mão de obra qualificada, segurança jurídica e serviços públicos eficientes.
Estruturas societárias mantidas apenas por razões fiscais também podem ser simplificadas, buscando redução de custos administrativos em um ambiente de menor complexidade tributária.

Imagem: Internet
Desafio para os estados
Para os governos estaduais, o fim da “guerra fiscal” desloca a competição para fatores estruturais. Atração de empresas dependerá de logística eficiente, ambiente de negócios favorável, capacidade de inovação, qualificação profissional e segurança jurídica.
Estados que desenvolverem esses diferenciais tendem a se posicionar melhor na captação de investimentos, geração de emprego e crescimento de longo prazo, ressalta o economista.
Com informações de Folha Vitória











