General Compute capta US$ 400 milhões da Upper90 e usa chips de inferência como garantia

A General Compute, startup que oferece nuvem voltada a inferência de inteligência artificial, obteve um empréstimo de US$ 400 milhões junto à gestora de investimentos Upper90. O acordo, anunciado nesta quarta-feira (17), tem como diferencial o uso de chips específicos para inferência como garantia, algo inédito nesse tipo de operação financeira.

Fundada pelo executivo Finn Puklowski, a General Compute já havia levantado US$ 15 milhões em rodada seed, em maio, para construir um “neocloud” baseado nos processadores SN50 da SambaNova, fabricante de semicondutores apoiada pela Intel. Diferentemente dos chips usados no treinamento de modelos, os SN50 são otimizados para executar modelos já treinados, consomem menos energia, dispensam sistemas caros de refrigeração a água e, segundo a empresa, entregam desempenho de inferência até 16 vezes superior ao de clouds baseadas em GPU.

Modelo de financiamento focado em hardware

A Upper90, liderada pelo ex-trader do Goldman Sachs Billy Libby, já havia financiado a compra de GPUs da Crusoe em 2021, numa das primeiras operações de crédito lastreadas em hardware de alto desempenho. Na avaliação de Libby, os empréstimos garantidos por chips se tornaram mais comuns após a CoreWeave adotar a prática e prepará-la para um IPO de destaque.

Com o mercado de GPUs mais maduro — e, segundo Libby, possivelmente saturado —, a Upper90 busca agora surfar a próxima onda da IA investindo em infraestrutura que viabilize o uso de modelos de código aberto a custos menores. “Nem todo mundo precisa de um supercomputador, mas todos precisam de inferência e IA”, afirmou o executivo.

Alternativas além da Nvidia

A estratégia da General Compute também ganha força por não depender exclusivamente do ecossistema da Nvidia. Outras empresas, como a TensorWave, apostam em parcerias com a AMD para ampliar a oferta de soluções de inferência de baixo custo. “Há uma série de chips com ótimo custo total de propriedade que podem operar muito mais rápido que as GPUs Nvidia, mas ainda faltam compradores”, disse Puklowski. “Este acordo sinaliza a organização do capital e o início da fragmentação do domínio monopolista da Nvidia.”

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Imagem: Internet

A operação ocorre em meio a uma movimentação maior do setor: plataformas que fornecem acesso a modelos abertos, como OpenRouter e Fireworks, têm atraído novos aportes, enquanto fabricantes de chips como Groq e Cerebras despertam interesse de investidores e do mercado de capitais.

Com informações de TechCrunch

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