Intensifica-se a fiscalização sobre o FSD da Tesla; Waymo amplia frota de robotáxis e mais destaques do setor de mobilidade

A nova edição do panorama de mobilidade traz a crescente pressão sobre a Tesla por causa de seu sistema Full Self-Driving (Supervised), além de movimentações de concorrentes e de empresas que atuam no ecossistema de veículos autônomos e elétricos.

Tesla sob múltiplas investigações

O Departamento de Transportes dos Estados Unidos, por meio da NHTSA e da NTSB, abriu inquéritos para apurar um acidente fatal ocorrido no Texas, no qual um Tesla invadiu uma residência e matou uma mulher de 76 anos. O motorista afirmou à polícia que o recurso Autopilot — sistema de assistência que já foi descontinuado — estava ativado no momento da colisão.

Em publicação na rede X, Ashok Elluswamy, vice-presidente de software de IA da Tesla, apresentou outra versão: segundo ele, o condutor teria pressionado o acelerador até 100%, anulando a condução automatizada. A declaração sugere que o veículo rodava com FSD (Supervised) e não com o antigo Autopilot, hipótese que só poderá ser confirmada oficialmente pelas agências federais.

Em paralelo, a montadora fechou acordo para encerrar um processo relacionado a um acidente fatal de 2023 que também envolveu o FSD. Esse caso integra uma investigação separada da NHTSA sobre a capacidade do sistema em reconhecer e reagir a situações de baixa visibilidade, como ofuscamento solar, neblina ou poeira.

Waymo importa mais de 3 mil robotáxis

Levantamento da consultoria MoffettNathanson, com base em registros de Bill of Lading, indica que a Waymo deve trazer aos Estados Unidos cerca de 3.156 unidades do modelo Ojai em 2026 — média de 300 veículos por mês. O robotáxi, desenvolvido em parceria com a chinesa Zeekr, é projetado na Suécia, fabricado na China (sem módulos de conectividade proibidos pela legislação norte-americana) e finalizado com o sistema autônomo de sexta geração da Waymo já em solo americano.

Aporte em serviços de apoio a robotáxis

A startup californiana Aseon Labs, que desenvolve cápsulas móveis para inspecionar, limpar e recarregar frotas autônomas, captou US$ 10 milhões em rodada semente liderada pela Crane Venture Partners. Participaram ainda Y Combinator, Expa (do cofundador da Uber Garrett Camp), Robin Hood Ventures e Founders Capital.

Parcerias, fusões e financiamentos

CaoCao Mobility e a norte-americana May Mobility firmaram acordo para explorar serviços de robotáxi em mercados internacionais, começando pela Europa.

A fabricante de drones de carga Elroy Air anunciou fusão com a SPAC Columbus Circle Capital Corp II, numa operação que avalia a companhia em US$ 1 bilhão.

A neozelandesa Partly, que desenvolve ferramentas de IA para a cadeia de reparo automotivo, levantou US$ 50 milhões em rodada Série B liderada pela DST Global Partners.

A plataforma africana de mobilidade elétrica Spiro recebeu investimento de US$ 55 milhões do fundo chinês NewTrails Capital.

A Terawatt Infrastructure obteve uma linha de crédito de até US$ 300 milhões para ampliar a instalação de pátios de recarga destinados a frotas elétricas, incluindo serviços autônomos como o da Waymo.

Regulação pode eliminar pedal de freio em veículos 100% autônomos

O Departamento de Transportes dos EUA propôs ajustes em normas federais que dispensariam a obrigatoriedade do pedal de freio em veículos projetados para operar exclusivamente por sistemas de direção automatizada — medida que pode beneficiar empresas como Tesla e Zoox.

Movimentação nas montadoras e plataformas

A Lucid Motors anunciou novo corte de 18% no quadro de funcionários — cerca de 1.500 pessoas — e a eliminação do segundo turno de produção em sua fábrica no Arizona. Em fevereiro, a empresa já havia reduzido 12% da equipe.

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Imagem: Internet

No setor de transporte por aplicativos, o CEO da Lyft, David Risher, estabeleceu um padrão de segurança que veda na plataforma veículos autônomos equipados com apenas um tipo de sensor. Modelos da Tesla que dependem exclusivamente de câmeras, como o futuro Cybercab, ficariam de fora. A regra não se aplica a carros dirigidos por humanos com sistemas de assistência.

Outros destaques

OpenAI contratou o presidente da Uber Índia, Prabhjeet Singh, como primeiro diretor-geral da empresa.

A sueca Polestar, controlada pela chinesa Geely, foi impedida de vender carros novos nos EUA devido à legislação que proíbe tecnologia veicular conectada de origem chinesa.

A Samsara lançou etiquetas adesivas de rastreamento do tamanho de um cartão de visita para combater o roubo de cargas.

A norte-americana Slate Auto apresentou uma picape elétrica de dois lugares por US$ 24.950, com 205 milhas de autonomia, janelas de manivela, sem central multimídia e acabamento em material composto cinza. A empresa também trocou a bateria do modelo; detalhes técnicos foram explicados pelo jornalista Tim De Chant.

A Uber enfrenta ação de acionistas que acusam a administração de priorizar lucro em detrimento de conformidade legal e segurança.

A Waymo registrou uma empresa na Alemanha, sinalizando planos de lançar serviço de robotáxi no país, embora a operação ainda não tenha data. Além disso, a companhia removeu a lista de espera em Nashville, abrindo o serviço ao público geral.

A Zoox atualizou o design de seu robotáxi próprio e avança na preparação para produção em maior escala em Hayward, Califórnia.

Todos os fatos apontam para um mercado de mobilidade em rápida transformação, marcado por investimentos robustos, novas regulamentações e crescente escrutínio sobre sistemas de direção autônoma.

Com informações de TechCrunch

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