Brasil e Escócia voltam a se encontrar nesta quarta-feira (24), em Miami, pela última rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026. Será a quinta vez que as seleções medem forças no torneio; até agora, o retrospecto aponta três vitórias e um empate a favor dos brasileiros.
Apesar das diferenças culturais entre os dois países, a história do futebol nacional traz um elo direto com a Escócia. Charles William Miller, reconhecido como o “pai do futebol brasileiro”, herdou sangue escocês do pai, John Miller, nascido em 13 de junho de 1844 na cidade costeira de Fairlie, próximo a Glasgow. John desembarcou no Brasil na década de 1860 para trabalhar na São Paulo Railway, atraído, ao lado do irmão Andrew, pelos salários mais altos oferecidos pela ferrovia que ligava Santos a Jundiaí.
Infância e formação britânica
Charles Miller veio ao mundo em 24 de novembro de 1874, no então bairro rural do Brás, em São Paulo, na chácara dos avós maternos. Criado em ambiente de forte influência britânica, alfabetizou-se em inglês em casa e, aos cinco anos, foi retratado pelo artista austríaco Ferdinand Piereck vestindo um kilt com o tartã da família, símbolo de suas origens escocesas.
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Aos nove anos, foi enviado à Inglaterra para estudar. Lá, tomou gosto pelo futebol, defendendo as equipes do St. Mary’s e do Corinthian Football Club – este último serviria de inspiração para o futuro Sport Club Corinthians Paulista.
Estreia da bola no Brasil
Depois de uma década em solo britânico, Miller regressou a São Paulo trazendo na bagagem um par de chuteiras, duas bolas de capotão, uma bomba de ar e um livro de regras. Em 14 de abril de 1895, organizou na Várzea do Carmo o primeiro jogo registrado no país: funcionários da São Paulo Railway, time pelo qual atuou, venceram trabalhadores da Companhia de Gás por 4 a 2.
O pioneirismo prosseguiu no São Paulo Athletic Club, onde conquistou as três primeiras edições do Campeonato Paulista (1902, 1903 e 1904) e terminou como artilheiro em 1902 e 1904.

Imagem: Reprodução
Legado e homenagens
Segundo a neta Maria Ignez Rudge Miller, o avô mantinha orgulho das raízes britânicas e valorizava princípios como honestidade e simplicidade. A principal homenagem ao esportista é a Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, palco da Copa do Mundo de 1950 e um dos templos do futebol brasileiro.
Quando a bola rolar em Miami, a partida entre Brasil e Escócia renovará a ligação iniciada há quase 130 anos com os primeiros passes ensinados por um paulista filho de escocês.
Com informações de Folha Vitória













