Investidores debatem estratégias para aplicar em IA em mercado que avança em ritmo recorde

Durante evento do StrictlyVC realizado no fim da semana passada em El Segundo, Los Angeles, dois dos investidores mais diretos do ecossistema de inteligência artificial analisaram como financiar startups em um cenário que nunca se moveu tão rapidamente. No palco estavam Carter Reum, cofundador da M13 – gestora early stage com US$ 2,5 bilhões sob administração e participação seed ou Série A em 17 unicórnios –, e Chang Xu, sócia da Basis Set Ventures, fundo criado em 2017 que investe exclusivamente em IA e opera hoje seu quarto veículo, com quase US$ 1 bilhão em ativos.

Bolha ou não?

Para Xu, o mercado vive “sim e não” uma bolha. Ela citou o salto de receita do ChatGPT, de US$ 1 bilhão para US$ 40 bilhões em seis meses, e a trajetória da Open Art – de US$ 1 milhão para US$ 10 milhões de ARR no primeiro ano e para US$ 70 milhões no segundo, mantendo geração de caixa positiva com apenas 20 funcionários. Nessa velocidade, disse, as avaliações deixam de parecer exageradas, embora aplicar a mesma métrica a todos os negócios coloque qualquer portfólio em risco.

Reum comparou o momento a ciclos anteriores – nuvem, iPhone e até o automóvel nos anos 1920. A diferença, afirmou, é que agora startups disputam espaço não só entre si, mas também com as dez maiores empresas de tecnologia do planeta, que possuem capital, dados e talentos em abundância. “Isso torna o investimento mais difícil; mas, se acertarmos, parecemos gênios”, resumiu.

Como precificar rodadas

O cofundador da M13 contou adotar o “cálculo de guardanapo”. No caso recente de uma solução de IA para marcas, avaliou o tamanho dos vencedores do ciclo anterior, o potencial de expansão do número de clientes e a disposição de pagar múltiplos mais altos. Resultado: a firma desistiu do aporte. Já Xu explicou que a Basis Set permanece colada à “diferenciação técnica defensável”, analisando tanto a infraestrutura “abaixo da IA” – novos bancos de dados, controle de versões e ferramentas de deployment pensadas para agentes – quanto as aplicações “acima da IA”, onde o desafio é criar barreiras de longo prazo.

Evitando o domínio dos hyperscalers

Reum revelou preferência por setores regulados como “fosso de atrito”. A M13, por exemplo, teve uma saída próxima de US$ 1 bilhão em uma empresa que aplica IA a centrais de atendimento do 911. “Os gigantes podem chegar lá, mas não no curto prazo”, avaliou, citando ainda saúde como área dependente de normas que retardam a entrada das big techs.

Para Xu, é essencial distinguir “mercados de profundidade” (que exigem tempo e conhecimento) dos de “velocidade” (onde seguidores rápidos dominam). Ela mencionou uma investida que usa galinhas transgênicas para fabricar proteínas complexas, mostrando que, apesar do avanço tecnológico, certos processos – como o tempo de incubação – continuam inalterados.

Ideias inéditas ou versões repaginadas?

Segundo Xu, ambos os cenários convivem. Enquanto teses consensuais – como agentes para finanças ou saúde – atraem fundadores fortes, projetos aparentemente improváveis podem surpreender. A Open Art, que começou oferecendo uma página de descobertas de prompts para geração de imagens, tornou-se um negócio de dezenas de milhões de dólares em dois anos. “Se tivessem iniciado um ano depois, teriam perdido a janela”, disse.

Investidores debatem estratégias para aplicar em IA em mercado que avança em ritmo recorde - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Reum acrescentou que o mercado ainda está nas “primeiras entradas” e que as segundas e terceiras ondulações, mais difíceis de prever, costumam render retornos superiores graças a menos concorrência e avaliações mais razoáveis.

Efeito SpaceX na cena de Los Angeles

O aguardado IPO da SpaceX deve distribuir capital a um amplo grupo de funcionários e moradores da região, destacou Reum. Ele lembrou que o ciclo anterior de liquidez em L.A. originou empresas como Riot Games, Tinder e Snap. Para o investidor, a combinação de conhecimento técnico com domínio de marca, conteúdo e influência posiciona a cidade para liderar a próxima onda de modelos de negócio.

Xu concordou, observando que o próximo fronte da IA não depende apenas de poder computacional, mas de “gosto” – criação de filmes, vídeos e produtos que gerem conexão cultural. “São Francisco tem talento técnico extraordinário; Los Angeles, gosto em abundância”, concluiu.

Com informações de TechCrunch

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes

Compartilhe como preferir

Copiar Link
WhatsApp
Facebook
Email