Current AI quer criar uma “Web Mundial” de inteligência artificial aberta e gratuita

A organização sem fins lucrativos Current AI, criada em fevereiro de 2025 pelo especialista em políticas públicas Martin Tisne, acelera o desenvolvimento de uma infraestrutura pública de inteligência artificial que possa ser usada por qualquer pessoa, sem custo.

Alternativa às grandes plataformas

Para a diretora-executiva Ayah Bdeir, que assumiu o cargo em janeiro após liderar a estratégia de IA da Mozilla e fundar a empresa de educação STEM littleBits, o domínio das grandes empresas sobre os sistemas de IA exige uma opção pública. “Se a tecnologia vai transformar todos os aspectos da vida, ela precisa estar disponível como a World Wide Web — aberta e gratuita”, declarou à TechCrunch.

Dispositivo offline em 22 idiomas indianos

Em fevereiro, durante o India AI Summit, a Current AI firmou parceria com o Bhashini, divisão de idiomas do governo da Índia, para lançar o Suno Sutra (crônicas da escuta, em hindi). O aparelho de bolso funciona sem conexão à internet, executa IA em 22 idiomas do país e tem código totalmente aberto para que comunidades de desenvolvedores possam aprimorá-lo.

Financiamento de US$ 400 milhões

O governo francês aportou US$ 100 milhões no projeto, seguido por Ford Foundation, MacArthur Foundation, DeepMind e Salesforce, elevando os recursos comprometidos para US$ 400 milhões. Segundo Bdeir, tratam-se de doações, não investimentos.

Primeira rodada de subsídios

No mês passado, a Current AI distribuiu US$ 3,2 milhões a quatro iniciativas:

Current AI quer criar uma “Web Mundial” de inteligência artificial aberta e gratuita - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

  • Masakhane (Quênia) – criação de conjuntos de dados em mais de 50 idiomas africanos para saúde, agricultura e educação;
  • Institute for Worldmaking (Líbano) – digitalização da história cultural árabe em bases controladas pelas próprias comunidades;
  • Portal sem Porteiras (Brasil) – ferramentas de IA offline desenvolvidas com povos indígenas da Amazônia, mantendo os dados no território;
  • African Internet Rights Alliance (Quênia) – mecanismos de auditoria para responsabilizar sistemas de IA em todo o continente.

Controle de dados pelas comunidades

Bdeir defende que modelos e dados sejam armazenados localmente, com protocolos de consentimento que permitam às comunidades interromper processos a qualquer momento. “Não pode ser uma empresa do Vale do Silício enriquecendo alguns milhares de pessoas”, afirmou.

Novos produtos e parcerias

Na primeira semana deste mês, em Genebra, a Current AI apresentou o Alpha Chat, chatbot de código aberto montado em sete semanas por um consórcio de dez organizações, entre elas Hugging Face, Mozilla e MIT Media Lab. A entidade também fechou acordo com a japonesa Sakana AI para desenvolver uma pilha de IA aberta voltada ao idioma japonês e a comunidades do Sul Global.

Com informações de TechCrunch

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