A Nvidia apresentou um sistema de resfriamento a água morna que, segundo a empresa, pode zerar o consumo de água dentro dos data centers. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (22) e inclui um circuito fechado que é abastecido apenas uma vez, mantendo o líquido em recirculação por toda a vida útil da instalação.
“O desafio do consumo de água em data centers está praticamente resolvido”, afirmou Josh Parker, diretor de sustentabilidade da Nvidia, em entrevista ao site Axios. A companhia, porém, admite que sua metodologia contabiliza apenas a água utilizada no interior dos prédios, desconsiderando o volume empregado na geração de eletricidade e na fabricação de chips.
Como funciona o sistema
O novo método injeta o fluido nos racks de servidores a 45 °C e o retira a 55 °C, temperatura suficiente para que radiadores passivos dissipem o calor na maioria dos climas, dispensando torres de resfriamento evaporativas, chillers e até ventiladores. Em ambientes favoráveis, isso representa uma redução de até 100 % no uso hídrico dentro da instalação, além de menor consumo de energia e ruído.
Limites da solução
Apesar do ganho local, especialistas lembram que a maior parte da pegada hídrica da inteligência artificial ocorre fora dos data centers. Usinas a gás natural consomem, em média, 1,17 litro de água por quilowatt-hora (kWh) produzido, enquanto plantas a carvão chegam a 2,2 L/kWh, de acordo com estudo recente. Essas fontes fósseis respondem por cerca de metade da eletricidade que alimenta os data centers, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).
Hidrelétricas, responsáveis por aproximadamente 10 % da energia usada no setor, perdem 6,8 L/kWh por evaporação em seus reservatórios. Já eólicas e solares demandam volumes ínfimos: 0,01 L/kWh e 0,03 L/kWh, respectivamente, considerando fabricação e limpeza de painéis.

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Projeções da IEA indicam que, até 2030, carvão e gás ainda devem fornecer mais de 40 % da nova capacidade elétrica necessária para suprir o crescimento dos data centers. Sem mudanças significativas nessa matriz, o consumo total de água associado à IA continuará elevado, mesmo que as instalações adotem o sistema da Nvidia.
A Nvidia foi procurada para esclarecer detalhes do projeto; até o fechamento desta matéria, não havia resposta.
Com informações de TechCrunch













