A divisão Applied AI da Meta, formada há cerca de três meses, tornou-se foco de insatisfação interna. Reportagem da revista Wired relata que parte dos 6.500 engenheiros e gerentes de produto transferidos para o grupo ameaça se rebelar, classificando o trabalho como “arrasa-almas” e comparando a área a um “gulag”.
O estopim ocorreu nesta semana, quando uma apresentação restrita a funcionários foi interrompida por uma transmissão com xingamentos direcionados a um executivo sênior de IA da companhia. Um dos palestrantes chegou a cobrir o rosto com as mãos diante do ataque verbal, segundo o relato.
Recrutados sem opção
Empregados ouvidos pela Wired dizem ter recebido um aviso repentino: aceitar a transferência para o Applied AI ou pedir demissão. Muitos se referem a si mesmos como “recrutas”. A principal tarefa atribuída é criar quebra-cabeças e desafios de programação para alimentar modelos de inteligência artificial. “É literalmente o gulag”, afirmou um entrevistado.
No mês passado, o Business Insider já havia mostrado que parte da equipe descobriu a mudança por e-mail. Um comunicado interno de abril reconhecia que os modelos da Meta ainda não superavam humanos em tarefas técnicas, como codificação, e defendia o uso de “exemplos reais” produzidos por funcionários para melhorar o desempenho das inteligências artificiais.
Estrutura e liderança
A área é chefiada por Maher Saba, veterano de 12 anos na empresa e ex-vice-presidente da Reality Labs, divisão que consumiu US$ 83 bilhões em investimentos no metaverso antes de a companhia priorizar IA. O Applied AI responde ao diretor-de-tecnologia Andrew Bosworth e, inicialmente, chegou a ter até 50 funcionários subordinados a um único gerente.
Rastreamento de cliques e protestos
Paralelamente, mais de 1.600 colaboradores em toda a Meta assinaram uma petição contra um programa que monitora cliques e toques no teclado para coletar dados de treinamento. O clima levou o diretor de produtos, Chris Cox, a comentar o “ambiente brutal” em reunião recente.

Imagem: Getty
Zuckerberg admite erros
Em áudio vazado de encontro interno realizado em abril, o CEO Mark Zuckerberg justificou a escolha de empregar pessoal próprio, e não contratados externos, afirmando que os funcionários da Meta teriam “inteligência significativamente maior” para rotular dados. O executivo citou ainda Alexandr Wang, que vendeu a Scale AI para a companhia por US$ 14,3 bilhões e hoje lidera o Meta Superintelligence Labs como chief AI officer.
Na sexta-feira (12), Zuckerberg enviou memorando admitindo que as recentes mudanças causaram desgaste e prometeu corrigir “erros”. Ele reforçou que o “norte” da empresa é ser “o melhor lugar para as pessoas mais talentosas do mundo causarem impacto”.
Com informações de TechCrunch












