São Francisco (EUA) – Roy Lee, cofundador e diretor-executivo da Cluely, reconheceu em 5 de março de 2026 que mentiu publicamente sobre os números de faturamento recorrente anual (ARR) da startup. Em publicação na rede social X, o executivo declarou que os US$ 7 milhões de ARR revelados ao TechCrunch no verão de 2025 “foram uma mentira” e emitiu uma “retratação formal”.
Lee escreveu que teria recebido “uma ligação fria de uma mulher” perguntando sobre resultados financeiros e que, sem esperar a publicação de uma matéria, “inventou” os dados. Contudo, registros mostram que a entrevista foi organizada pela própria assessoria de imprensa da Cluely. Em 27 de junho de 2025, às 8h38, a representante de relações públicas da empresa enviou e-mail à repórter Marina Temkin, do TechCrunch, oferecendo uma conversa com o CEO. O contato foi aceito, o número de Lee foi compartilhado e a entrevista ocorreu após algumas tentativas de ligação.
Na mesma postagem em que admitiu a mentira, Lee divulgou capturas de tela da conta da empresa no Stripe. Segundo as imagens, em junho de 2025 a Cluely registrava ARR de US$ 2,7 milhões no segmento de consumo (run rate de US$ 3,8 milhões) e ARR de US$ 2,5 milhões em contratos corporativos (run rate de US$ 2,5 milhões).
Startup ganhou projeção com ferramenta de trapaça on-line
No verão de 2025, a Cluely ganhou notoriedade ao oferecer um aplicativo que permitia aos usuários buscar respostas secretamente durante chamadas de vídeo. A ideia nasceu depois que Roy Lee publicou no X ter sido suspenso pela Universidade Columbia por criar, com o cofundador, uma ferramenta para burlar entrevistas de emprego para engenheiros de software.
O projeto atraiu US$ 5,3 milhões em rodada seed liderada por Abstract Ventures e Susa Ventures. Em junho de 2025, a companhia levantou mais US$ 15 milhões em rodada Série A conduzida pela Andreessen Horowitz. Conhecida por ações de marketing provocativas, a Cluely era tema frequente de discussões no setor. No TechCrunch Disrupt, em outubro de 2025, Lee chegou a afirmar que “nunca se deve compartilhar números de receita” enquanto o produto ainda passa por mudanças.

Imagem: Getty
Posteriormente, a Cluely passou a se apresentar como plataforma de transcrição de reuniões impulsionada por inteligência artificial. Ao admitir a falsidade dos números nesta quinta-feira, Lee contrariou o próprio conselho dado em 2025.
Com informações de TechCrunch







