Governo dos EUA rompe contrato e proíbe Anthropic de fornecer tecnologia ao Pentágono

A administração do ex-presidente Donald Trump encerrou na última sexta-feira (28) todos os vínculos do governo federal com a Anthropic, empresa de inteligência artificial sediada em São Francisco e criada em 2021 por Dario Amodei e ex-pesquisadores da OpenAI. A medida, anunciada pelo secretário de Defesa Pete Hegseth, baseia-se em uma lei de segurança nacional voltada a riscos na cadeia de suprimentos.

Com a decisão, a Anthropic perde um contrato de até US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa e fica impedida de trabalhar com outros fornecedores militares. Horas depois, Trump publicou na rede Truth Social a orientação para que todas as agências federais interrompam imediatamente o uso de qualquer tecnologia da companhia.

O rompimento ocorreu após Amodei recusar a aplicação dos sistemas da Anthropic em programas de vigilância em massa de cidadãos norte-americanos e em drones armados capazes de selecionar e eliminar alvos sem intervenção humana. A empresa classificou a decisão como “legalmente insustentável” e informou que recorrerá aos tribunais.

Críticas à falta de regulação

Em entrevista posterior, o físico sueco-americano Max Tegmark, professor do MIT e fundador do Future of Life Institute, afirmou que a situação da Anthropic reflete a resistência das big techs de IA a normas obrigatórias. Segundo ele, Anthropic, OpenAI, Google DeepMind e xAI “prometeram autorregulação”, mas nunca defenderam legislação vinculante.

Tegmark lembrou que, no início da semana, a Anthropic retirou de seu compromisso público a cláusula que condicionava o lançamento de modelos mais poderosos a garantias de segurança. Para o pesquisador, ao evitarem regras claras, as empresas “criaram o próprio problema” e agora enfrentam pedidos governamentais sem proteção legal definida.

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Imagem: Internet

Reações no setor

Após o bloqueio, o CEO da OpenAI, Sam Altman, declarou apoio à posição da Anthropic e disse compartilhar as mesmas “linhas vermelhas” em relação ao uso militar de IA. Até o fechamento desta reportagem, Google DeepMind e xAI não haviam se manifestado publicamente.

O episódio reacende o debate sobre o ritmo de desenvolvimento de sistemas avançados e a ausência de regulamentação nos Estados Unidos, tema que ganhou destaque desde a carta aberta organizada por Tegmark em 2023 — assinada por mais de 33 mil pessoas, entre elas Elon Musk — que pedia uma pausa em pesquisas de IA de ponta.

Com informações de TechCrunch

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