Santa Fe (EUA) — Um júri estadual determinou nesta terça-feira, 24 de março de 2026, que a Meta pague US$ 375 milhões em multas civis por ter enganado consumidores sobre a segurança de Facebook e Instagram e colocado menores em perigo.
A decisão, tomada após seis semanas de julgamento, considerou a companhia responsável por duas violações da Lei de Práticas Desleais do Novo México, fixando a penalidade máxima de US$ 5.000 por infração. Embora o valor seja modesto para uma empresa avaliada em cerca de US$ 1,5 trilhão, trata-se do primeiro veredicto de júri contra a Meta por danos a jovens usuários.
“Executivos da Meta sabiam que seus produtos prejudicavam crianças, ignoraram alertas de funcionários e iludiram o público”, afirmou o procurador-geral Raúl Torrez, classificando a sentença como “um divisor de águas para todos os pais”.
Investigação secreta originou o processo
A ação do estado começou após uma investigação disfarçada em 2023, na qual agentes criaram perfis de usuários com menos de 14 anos. As contas receberam material sexual explícito e propostas de homens do Novo México, cinco dos quais foram presos em maio de 2024; dois foram detidos em um motel onde acreditavam encontrar uma menina de 12 anos.
Documentos internos da Meta e depoimentos de ex-funcionários reforçaram as acusações. O engenheiro Arturo Bejar, que trabalhou na empresa entre 2009 e 2015, contou ter alertado executivos depois que sua filha de 14 anos recebeu avanços sexuais indesejados no Instagram. Segundo ele, o mesmo algoritmo que direciona anúncios “é muito bom em conectar quem se interessa por meninas com meninas”.
Outro ex-executivo, Brian Boland, vice-presidente de marketing de parcerias até 2020, declarou não acreditar que segurança fosse prioridade para o CEO Mark Zuckerberg ou a então COO Sheryl Sandberg.
Depoimento de Zuckerberg e reação da empresa
Em vídeo apresentado ao júri, Zuckerberg disse considerar “inconclusivas” as pesquisas sobre potencial de dependência das redes. Promotores destacaram estudos internos que descrevem recursos desenhados para estimular respostas de dopamina e prolongar o tempo de uso.

Imagem: Getty
Após o veredicto, a Meta informou que vai recorrer. “Discordamos respeitosamente da decisão e trabalhamos duro para manter as pessoas seguras”, declarou um porta-voz.
Outras batalhas judiciais e nova fase no Novo México
A empresa também enfrenta, ao lado do YouTube, um julgamento em Los Angeles movido por uma usuária identificada como K.G.M., de 20 anos, que alega ter desenvolvido dependência, ansiedade, depressão e problemas de autoestima ao usar redes sociais na infância. O júri delibera, mas já indicou dificuldades para chegar a um veredicto quanto a um dos réus; o juiz solicitou que continuem discutindo.
No Novo México, está marcada para 4 de maio a segunda fase do processo, agora sem júri, na qual o estado acusa a Meta de criar um transtorno público. Nessa etapa, podem ser impostas novas multas e medidas como verificação de idade e proteções adicionais a menores.
Com informações de TechCrunch







