O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) iniciou a coleta de novas amostras para aprofundar a investigação sobre a origem do pó preto presente na Grande Vitória. Este projeto, denominado Estudo de Caracterização de Fontes de Material Particulado, é popularmente conhecido como “DNA do Pó Preto”.
O anúncio foi feito durante uma reunião da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), que está atenta às iniciativas relacionadas à qualidade do ar na região e planeja acompanhar o progresso do estudo de forma regular.
Como explicou Takahiko Hashimoto Júnior, analista de meio ambiente do Iema, a fase de coleta de amostras está em andamento e deve se estender até março de 2027. Após essa etapa, os dados serão analisados por diferentes laboratórios, e os resultados finais poderão levar até dois anos para serem divulgados.
Este estudo é uma exigência ambiental imposta à Vale e conta com a colaboração das Universidades Federais do Espírito Santo (Ufes) e de Minas Gerais (UFMG). O objetivo é comparar a composição das partículas coletadas nas estações de monitoramento com aquelas obtidas diretamente de possíveis fontes de emissão.
As coletas anteriores abordaram a construção civil, o tráfego nas vias e pilhas de materiais, e agora o foco se volta para as chaminés industriais. A pesquisa também incluirá amostras de solo e resíduos de varrição das ruas, abrangendo tanto a poeira sedimentável quanto o material particulado PM2,5, que é considerado mais preocupante devido à sua capacidade de penetrar no sistema respiratório.
Esse estudo dá continuidade a uma investigação realizada entre 2009 e 2011, que buscou identificar várias fontes de partículas na atmosfera da Grande Vitória.
Além do “DNA do Pó Preto”, o Iema está desenvolvendo um novo Inventário de Emissões Atmosféricas, uma ferramenta que visa estimar a contribuição de diferentes fontes para a poluição na região. Este levantamento considerará veículos, tráfego, construção civil, portos, ferrovias, aeroporto, aterros sanitários e emissões residenciais.
O último inventário disponível foi realizado em 2015, e o Iema está finalizando os contratos com empresas que irão executar o novo levantamento e sua auditoria. A intenção é que esse inventário seja atualizado regularmente, servindo como base para ações que visem melhorar a qualidade do ar na Grande Vitória.











