Filmes metálicos ultrafinos conquistam superfícies curvas sem perder transparência

Pesquisadores da Harbin Institute of Technology, na China, desenvolveram um processo que permite depositar filmes metálicos transparentes de apenas 10 nanômetros em superfícies curvas, mantendo até 88% de transmissão de luz e baixa resistência elétrica de 8,1 Ω/□. O avanço foi descrito em artigo publicado em 10 de fevereiro de 2026 no International Journal of Extreme Manufacturing.

A inovação resolve um entrave de longa data para dispositivos optoeletrônicos curvos, como displays flexíveis e óculos inteligentes. Em painéis planos já é possível fabricar eletrodos transparentes com precisão; contudo, quando o substrato apresenta curvas, os filmes tendem a ficar irregulares, comprometendo a condução elétrica e a transparência.

Como funciona o método

O grupo liderado pelos professores Heyan Wang e Zhengang Lu adotou a técnica de co-sputtering, comum na indústria, mas introduziu um modelo de deposição batizado de multi-angle co-velocity fitting. Nesse sistema, alvos metálicos se movem em trajetórias e velocidades controladas, permitindo que camadas ligeiramente não uniformes se combinem e resultem em um revestimento globalmente homogêneo, mesmo em superfícies esféricas, cilíndricas ou de geometria irregular.

Para evitar que o filme de prata se fragmentasse — problema típico em espessuras tão pequenas —, os cientistas acrescentaram pequenas quantidades de alumínio durante a deposição. Simulações computacionais indicam que o co-doping facilita a distribuição uniforme dos átomos, formando uma película contínua em vez de ilhas metálicas.

Resultados e aplicações

Testes mostraram que os eletrodos curvos produzidos pelo novo processo atingem desempenho equivalente aos melhores filmes planos, com alta transparência no espectro visível e resistência elétrica reduzida. A equipe também demonstrou aplicações práticas, entre elas blindagem eletromagnética transparente, revestimentos decorativos sem pigmento e camadas funcionais para lentes anti-embaçamento e filtro ultravioleta.

Filmes metálicos ultrafinos conquistam superfícies curvas sem perder transparência - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Segundo os autores, o método pode ser adaptado a outros metais e dieletricos ópticos e é compatível com equipamentos de sputtering já utilizados na fabricação em escala. O próximo passo é ampliar a técnica para áreas maiores e geometrias ainda mais complexas.

Com informações de Nanowerk

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