A estreia da SpaceX na bolsa, marcada para esta sexta-feira, deixará muitos dos investidores que apostaram na companhia por meio de veículos de propósito específico (SPVs, na sigla em inglês) sem saber quantas ações realmente possuem — ou até se receberão esses papéis.
Os SPVs reúnem recursos de vários participantes para investir em uma única empresa. No caso da SpaceX, a procura por cotas foi tão intensa nos últimos anos que alguns cotistas formaram novos SPVs a partir de suas próprias posições, empilhando estruturas com quatro ou cinco camadas.
Será o primeiro grande teste da viabilidade desses SPVs multicamadas. Recentemente, startups como Anthropic e Anduril anunciaram que não permitem mais esse formato.
Risco de menos ações — ou nenhuma
Quase uma dezena de gestores de SPVs e investidores do mercado secundário ouvidos pelo TechCrunch afirmam que participantes dos níveis mais baixos podem acabar com menos ações do que imaginam ou, em casos extremos, sem nenhum lote.
Isso só ficará claro quando os lock-ups — que impedem a venda de ações por funcionários, familiares, amigos e investidores de risco logo após o IPO — começarem a ser liberados, em um processo escalonado previsto para durar cerca de quatro meses. Até lá, os gestores dos SPVs não terão acesso aos papéis e, portanto, não poderão repassá-los aos seus cotistas.
Demora em cascata
Segundo Justin Ernest, fundador e sócio-gerente da Sabertooth Capital, que investe principalmente em SPVs de primeira camada, o gestor desse primeiro veículo terá 30 dias para distribuir as ações aos seus cotistas. Cada nível abaixo pode levar o mesmo tempo adicional, o que significa que o investidor situado na base da pirâmide pode esperar até oito ou nove meses para receber seus papéis.
Um investidor secundário, que pediu anonimato, alerta para outra surpresa: parte das ações esperadas pode ser consumida por taxas cobradas pelos SPVs. “Existe uma cadeia de comunicação em que cada participante só sabe o que acontece na camada imediatamente acima”, afirmou.

Imagem: Internet
Casos de fraude acendem alerta
O receio principal é não receber nenhuma ação. Giovanni Pennetta, gestor da Sestante Capital, foi condenado recentemente a quatro anos de prisão por oferecer alocações inexistentes na Anduril. O episódio levantou dúvidas sobre a lisura de outros patrocinadores.
Nick Davidov, fundador da Davidovs Venture Collective, relatou no X que um amigo investiu na SpaceX via SPV de duas camadas em 2021 e o gestor sumiu há um ano, sem responder a e-mails ou telefonemas.
Para Idan Miller, sócio-gerente da plataforma secundária Unicorns Exchange, mais casos semelhantes devem aparecer quando os lock-ups terminarem: “Alguns desses veículos serão expostos como golpes ou fraudes”.
Com informações de TechCrunch







