Duas entidades que representam segmentos fundamentais da economia do Espírito Santo estarão em Washington em 6 de julho para defender seus produtos de uma possível sobretaxa norte-americana. O Centrorochas, que reúne exportadores de rochas ornamentais, e o Cecafé, que representa os exportadores de café, participarão da audiência pública convocada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
O encontro debaterá a recomendação do USTR de impor tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras, resultado de investigação conduzida sob a Seção 301 da lei de comércio dos EUA. Após a audiência, o órgão elabora um parecer que ainda precisará ser aprovado pelo presidente Donald Trump.
Rochas ornamentais sob risco
Para o Espírito Santo, que concentra cerca de 80% da indústria nacional de rochas ornamentais, o tema é decisivo. Em 2025, o Brasil vendeu ao exterior US$ 1,2 bilhão em rochas brutas e acabadas, e mais da metade desse valor teve como destino os Estados Unidos, segundo o Centrorochas.
A proposta de tarifa exclui apenas os quartzitos; granitos, mármores, ardósias e outros materiais permanecem na lista. A entidade calcula que quase 50% do faturamento das exportações brasileiras do setor ficaria exposto caso a medida avance.
O presidente do Centrorochas, Fábio Cruz, argumenta que a sobretaxa prejudicaria a própria cadeia produtiva norte-americana, já que o Brasil fornece chapas semiacabadas que movimentam distribuidores, marmorarias e construtoras locais. “O que nós fornecemos é insumo para a indústria deles”, diz. Ele afirma ainda que a tarifa elevaria o custo da construção nos Estados Unidos.
Cruz participará da audiência ao lado de James Hieb, presidente-executivo do Natural Stone Institute, associação nacional do setor nos EUA, sinalizando alinhamento entre empresas brasileiras e americanas contra a medida.
Café solúvel sem isenção
No caso do café, a preocupação recai sobre o produto solúvel, que permanece sujeito à sobretaxa, enquanto o grão verde foi retirado da lista. Os Estados Unidos são o maior comprador de café solúvel brasileiro, item de maior valor agregado e com menor possibilidade de redirecionamento a outros mercados.

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O Espírito Santo abriga três indústrias de peso no segmento — Olam (OFI), Café Cacique e Real Café — e responde por cerca de 70% da produção nacional de conilon, variedade base para a fabricação de solúvel. Dados do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) indicam que, no primeiro bimestre de 2026, as exportações capixabas de solúvel recuaram 42% em volume e 52% em receita, de US$ 18,3 milhões para US$ 8,8 milhões, a maior queda entre os tipos de café no período.
Empresas do setor relatam redução de margens e volume desde a adoção da tarifa e temem agravamento caso a cobrança se mantenha. A competitividade brasileira também é afetada pelo México, principal fornecedor de solúvel aos EUA, que possui tarifa zero graças a acordo bilateral.
Outros participantes e cronograma
Além de Centrorochas e Cecafé, confirmaram presença na audiência entidades como Amcham, US Chamber, CNI, CNA, Fiesp, Abicalçados, Sociedade Rural Brasileira, Unica, Ibá, Abimaq e Abimci. O senador Flávio Bolsonaro solicitou tempo para falar.
O relatório final do USTR deve ser publicado até 15 de julho. A decisão sobre a adoção efetiva das medidas corretivas caberá, em última instância, à Casa Branca.
Com informações de Folha Vitória











