O documentário “Brasil 88: Depois do Silêncio” foi exibido pela primeira vez nesta terça-feira (23) no Cine Brasília, relembrando a campanha que garantiu à seleção brasileira feminina o terceiro lugar no Torneio Experimental da Fifa, disputado na China em 1988 e considerado o precursor da Copa do Mundo da modalidade.
Produzido pelo Ministério do Esporte, o filme combina imagens de arquivo a depoimentos das atletas que participaram da competição. A produção faz parte das atividades da Semana Nacional do Esporte, evento alinhado à Copa do Mundo feminina de 2027, que será sediada no Brasil.
Trajetória na China
No torneio, a equipe estreou com derrota por 1 a 0 para a Austrália, mas reagiu ao vencer a Noruega por 2 a 1. Na sequência, goleou a Tailândia por 9 a 0, resultado que assegurou a classificação. Nas quartas de final, superou a Holanda por 2 a 1 e, na semifinal, voltou a enfrentar a Noruega, sendo derrotada pelo mesmo placar. A disputa pelo terceiro lugar terminou em 0 a 0 contra a China; nos pênaltis, o Brasil garantiu a medalha de bronze.
Depoimentos das pioneiras
Treze jogadoras que integraram o elenco de 1988 compareceram à sessão. Artilheira do torneio com seis gols, Cebola afirmou que o desempenho foi fruto da entrega coletiva, apesar da falta de apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A atacante Michael Jackson destacou o entrosamento da equipe, enquanto a capitã Caju lembrou o contexto de restrições que as mulheres enfrentavam no futebol.
Outras atletas relataram dificuldades vividas na época. Russa disse que o grupo esperava maior reconhecimento após a competição; Fia Paulista contou ter deixado o esporte por questões financeiras; e Suzana descreveu como jogar futebol era visto como afronta social. Para Sissi, a realização da Copa de 2027 no Brasil representa a concretização de um sonho daquela geração.
Apoio institucional
Durante a cerimônia, o ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, reconheceu a importância histórica das atletas e anunciou a intenção de criar uma contribuição especial para melhorar as condições de vida das pioneiras. Já a secretária extraordinária para a Copa do Mundo feminina de 2027, Juliana Agatte, ressaltou que o filme ajuda a preservar a memória e defendeu maior participação feminina na gestão esportiva.

Imagem: Fabio Rodrigues
Repercussão entre estudantes
Cerca de 200 alunos da rede pública do Distrito Federal acompanharam a sessão. A estudante Sofia Mendes, da equipe de futsal Elite, disse que o longa confirmou histórias contadas por sua mãe, ex-jogadora de futebol. Para Sarah Gabrielly, de 12 anos, o documentário mostra como o esporte contribui para superar desafios pessoais.
Brasil 88: Depois do Silêncio relembra a proibição do futebol feminino entre 1941 e o início da década de 1980 e destaca o papel decisivo da geração de 1988 na consolidação da modalidade no país.
Com informações de Agência Brasil













