WASHINGTON, 20 de julho de 2026 – O Centro de Padrões e Inovação em IA (CAISI, na sigla em inglês) confirmou nesta segunda-feira a saída de seu diretor, Chris Fall, apenas três meses depois de ter assumido o comando da agência.
Fall havia sido nomeado em abril, depois que o antecessor Collin Burns permaneceu menos de uma semana na função. Fontes ouvidas pelo The Washington Post afirmaram que Burns foi afastado por já ter trabalhado na Anthropic, empresa que vinha travando disputas com o governo Trump.
Sem motivo divulgado
O CAISI não informou a razão da nova renúncia. Antes de liderar o centro, Fall dirigiu o Escritório de Ciência do Departamento de Energia (DOE) durante o primeiro mandato de Donald Trump e chegou a acumular a função de diretor interino da ARPA-E. Ele também passou pelo Escritório de Pesquisa Naval do DOE.
Entre Burns e Fall, quem chefiou o órgão foi o investidor David Sacks, então denominado “czar de IA e cripto” da Casa Branca. Sacks deixou o cargo em março.
Função estratégica, mas fora de decisões recentes
Subordinado ao Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), o CAISI é responsável por elaborar normas técnicas, métodos de teste para modelos de inteligência artificial e avaliações de risco cibernético. Mesmo assim, o centro ficou de fora de decisões de alto impacto nos últimos meses:
- Em junho, o Departamento de Comércio usou uma diretriz de controle de exportações para retirar do mercado os modelos Mythos e Fable, da Anthropic. A proibição caiu no fim do mês após o secretário Howard Lutnick aprovar o plano de segurança da empresa.
- No início de julho, a Casa Branca criou, por ordem executiva, o programa de supervisão Gold Eagle para coordenar vulnerabilidades de cibersegurança. Vários órgãos federais foram listados, mas o CAISI não apareceu entre eles.
Debates sobre regulação e competição
Depois da liberação dos modelos da Anthropic, o CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, defendeu a criação de uma entidade independente do setor para regular a chamada IA de fronteira, inspirada na FINRA – proposta semelhante à missão original do CAISI.
A renúncia de Fall ocorreu em meio a discussões internas do governo sobre possível proibição de modelos abertos chineses, após o laboratório Moonshot lançar uma nova versão do Kimi com desempenho comparável a sistemas de ponta. O tema gerou críticas, inclusive do ex-chefe do CAISI, David Sacks, que alertou contra o uso de regulamentação como instrumento de protecionismo.
O CAISI divulgou recentemente relatórios sobre os modelos chineses de código aberto GLM-5.2, da Z.ai, e DeepSeek V4 Pro, mas não detalhou seus métodos de avaliação. Desde 9 de julho, TechCrunch encaminhou perguntas ao Departamento de Comércio e ao NIST sobre os testes, sem receber resposta.
Com a saída de Chris Fall, o governo Trump deverá indicar, pela terceira vez em menos de cinco meses, um novo responsável pela formulação de padrões federais de inteligência artificial.
Com informações de TechCrunch











