Washington (05.mar.2026) – O cofundador e presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, afirmou nesta quinta-feira que a empresa recorrerá aos tribunais para contestar a decisão do Departamento de Defesa dos Estados Unidos de rotulá-la como “risco à cadeia de suprimentos”. A designação impede a companhia de firmar novos contratos com o Pentágono e seus fornecedores.
A classificação foi oficializada poucas horas antes do pronunciamento de Amodei, após semanas de disputa sobre o grau de controle que os militares devem ter sobre sistemas de inteligência artificial. Segundo o executivo, a medida é “legalmente insustentável”.
Alcance limitado, diz Amodei
Em comunicado, o CEO declarou que a maioria dos clientes da Anthropic não será afetada. “Aplica-se apenas ao uso do Claude em contratos diretos com o Departamento de Guerra, não a todo uso feito por clientes que possuam tais contratos”, disse.
Amodei adiantou parte da argumentação que pretende levar à Justiça: a carta do governo teria escopo restrito e serviria para proteger o próprio Executivo, e não punir fornecedores. Ele acrescentou que a legislação obriga o secretário a adotar “o meio menos restritivo necessário” para resguardar a cadeia de suprimentos e que, mesmo para contratados do departamento, o rótulo não pode limitar usos do Claude alheios aos projetos específicos.
Conflito de diretrizes de uso
A Anthropic impôs barreiras ao emprego de sua IA em vigilância em massa de cidadãos americanos e em armas totalmente autônomas. O Pentágono, contudo, defende acesso irrestrito “para todos os fins legais”.
Vazamento de memorando e acordo com a OpenAI
Negociações consideradas “produtivas” entre a empresa e o governo foram abaladas pelo vazamento de um memorando interno no qual Amodei classificou a parceria da rival OpenAI com o Departamento de Defesa como “teatro de segurança”. A OpenAI acabou assinando contrato para ocupar o espaço deixado pela Anthropic, movimento que gerou críticas dentro da própria OpenAI.

Imagem: Getty
No mesmo comunicado de quinta-feira, Amodei pediu desculpas pelo vazamento, negou participação da empresa na divulgação do documento e descreveu a data do memorando como “um dia difícil”. Ele disse que o texto, redigido seis dias atrás, tornou-se obsoleto após uma sequência de anúncios: um post presidencial na rede Truth Social retirando a Anthropic de sistemas federais, a designação de risco assinada pelo secretário de Guerra Pete Hegseth e o anúncio do acordo do Pentágono com a OpenAI.
Apoio às operações e próxima etapa jurídica
O executivo reiterou que a prioridade da Anthropic é garantir que militares e especialistas em segurança nacional mantenham acesso às ferramentas durante operações de combate em curso. A empresa continuará fornecendo seus modelos ao Departamento de Defesa a custo nominal enquanto durar a transição.
A contestação deverá ser protocolada em um tribunal federal, provavelmente em Washington. Especialistas observam, porém, que a lei por trás da designação dificulta impugnações, ao restringir os meios tradicionais de questionamento de decisões de compras governamentais e conceder ampla discricionariedade ao Pentágono em temas de segurança nacional. “Os tribunais relutam em rever o que o governo considera questão de segurança; a barreira é alta, mas não intransponível”, afirmou Dean Ball, ex-assessor da Casa Branca para IA no governo Trump.
Com informações de TechCrunch







