Vitória (ES) – A prefeitura de Vitória entregou, no sábado (18), a revitalização da Orla do Canal de Camburi, espaço projetado para lazer, convívio social e melhoria da mobilidade. A abertura marca mais um capítulo de um curso d’água que, por muito tempo, serviu como limite natural entre a ilha de Vitória e o continente.
Da denominação indígena às primeiras plantas urbanas
Antes dos aterros e pontes, o canal era identificado como Rio Maruhype em um mapa de 1929 guardado no Arquivo Público Municipal. No mesmo documento, aparecem a Praia do Rirahem (atual Camburi) e o então Bairro Bomba, hoje Santa Luiza, batizado assim por abrigar um posto de combustíveis.
Tentativas iniciais de expansão
Em 1896, o governador Muniz Freire contratou o engenheiro sanitarista Francisco Saturnino Rodrigues de Brito para o projeto “Novo Arrabalde”, que previa vias e saneamento na direção norte da ilha. A crise econômica do final do século XIX interrompeu grande parte da proposta.
Somente nas décadas de 1920 e 1930, com aterros estaduais e obras como as atuais avenidas Leitão da Silva (antiga Norte–Sul) e Reta da Penha, o avanço ganhou ritmo. Em 1946, o urbanista francês Alfred Agache foi chamado pelo governador Jones dos Santos Neves para atualizar o plano, mantendo o foco no norte, ainda com baixa ocupação à época.
Industrialização e crescimento acelerado
A década de 1960 marcou a virada: a instalação da Universidade Federal do Espírito Santo, do Aeroporto de Vitória e do complexo portuário de Tubarão – que reuniu a então Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica de Tubarão – atraiu trabalhadores e empresas. O resultado foi a expansão desordenada das margens, tomadas por barracos e palafitas sobre antigos manguezais.
Da fazenda ao bairro
No lado continental, a região se desenvolveu sobre a antiga Fazenda Mata da Praia, ou Sítio Queiroz, registrada em 1891 em nome do capitão Justiniano Azambuja Meyrelles. Em 1928, seis anos após a morte do proprietário, Ostilho Ximenes iniciou o primeiro loteamento, impulsionado pela construção da Ponte da Passagem (1927–1930). Na década de 1950, a prefeitura aprovou um novo parcelamento com cerca de 1.400 lotes e avenidas diagonais, seguido de sucessivos aterros e travessias que consolidaram bairros como Jardim da Penha.
Sete pontes e uma história de ligações
A conexão ilha-continente começou com uma ponte de madeira no fim do século XVIII, usada até por Dom Pedro II em 1860. A estrutura foi substituída pela Ponte da Passagem, inaugurada em 1930 durante o governo Florentino Avidos e única via até 1966, quando surgiu a Ponte de Camburi. Esse primeiro trecho ruiu em 1967, sendo reconstruído em 1969 como Ponte Ceciliano Abel de Almeida.

Imagem: Divulgação
Na década de 1980 foi erguida a Ponte Petrônio Portela, paralela à Ceciliano Abel de Almeida, e em 1996 entrou em operação a Ponte Ayrton Senna, quarta ligação ao norte. Já em agosto de 2009, a antiga Ponte da Passagem deu lugar à estaiada Governador Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, com 270 m, projeto do engenheiro Karl Fritz Meyer e primeira do tipo no Espírito Santo.
Canal integrado a sete bairros
Atualmente, o Canal de Camburi delimita sete bairros: Pontal de Camburi e Jardim da Penha no continente; Praia do Canto, Barro Vermelho, Santa Luiza, Andorinhas e Santa Martha na ilha de Vitória.
A Orla recém-aberta pretende reforçar a relação dos moradores com essa trajetória, combinando áreas de caminhada, espaços de convivência e novas opções de deslocamento ao longo do curso d’água que, desde o antigo Rio Maruhype, molda a expansão da capital capixaba.
Com informações de Folha Vitória













