Palantir divulga manifesto de 22 pontos criticando “pluralismo vazio” e defendendo uso militar de IA

A Palantir, companhia norte-americana de vigilância e análise de dados, publicou no sábado (19) um resumo de 22 pontos do livro “The Technological Republic”, escrito pelo CEO Alexander Karp em parceria com Nicholas Zamiska, chefe de assuntos corporativos. O texto, apresentado como “mini-manifesto”, reafirma a visão ideológica da empresa sobre tecnologia, segurança e cultura.

Lançado no ano passado, o livro é descrito pelos autores como o início da formulação teórica que sustenta o trabalho da Palantir. Um crítico, porém, classificou a obra como material de vendas corporativas disfarçado de livro.

Contexto de pressão política

O posicionamento público ocorre enquanto a atuação da Palantir é alvo de questionamentos em Washington. Parlamentares democratas enviaram recentemente carta ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e ao Departamento de Segurança Interna dos EUA cobrando detalhes sobre o uso de ferramentas da empresa na estratégia de deportação do governo Trump.

Sem citar diretamente as críticas, a postagem afirma que o resumo foi divulgado porque “somos muito questionados” e defende que o Vale do Silício possui “dívida moral” com o país que possibilitou seu crescimento. “E-mail gratuito não é suficiente”, diz o texto.

Defesa do poder militar baseado em IA

O manifesto argumenta que a decadência de uma civilização só será perdoada se ela garantir crescimento econômico e segurança. Em seguida, critica o que chama de cultura que “zomba” do interesse de Elon Musk por grandes narrativas e aborda o debate sobre inteligência artificial nas Forças Armadas.

“A questão não é se armas de IA serão construídas, mas quem as construirá e com que propósito. Nossos adversários não interromperão seus esforços para participar de debates teatrais”, declara a Palantir, acrescentando que a era atômica está chegando ao fim e dando lugar a uma “nova era de dissuasão” baseada em inteligência artificial.

Críticas a Alemanha, Japão e ao pluralismo

O documento condena o “desarmamento pós-guerra” de Alemanha e Japão. Para a empresa, a “desferramenta” alemã foi uma “supercorreção” que custa caro à Europa e o pacifismo japonês pode alterar o equilíbrio de poder na Ásia.

Palantir divulga manifesto de 22 pontos criticando “pluralismo vazio” e defendendo uso militar de IA - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

Ao encerrar, a Palantir rejeita aquilo que chama de “tentação rasa de um pluralismo vazio e oco”. Segundo o texto, a devoção cega à inclusão ignora que algumas culturas produziram “maravilhas”, enquanto outras seriam “medianas, regressivas e nocivas”.

Reação de Eliot Higgins

Pouco depois da publicação, Eliot Higgins, fundador do site investigativo Bellingcat, ironizou no X (antigo Twitter) que é “extremamente normal” uma empresa divulgar esse tipo de declaração. Para ele, o manifesto não apenas defende o Ocidente, mas ataca pilares democráticos que, segundo afirma, precisam ser reconstruídos: verificação, deliberação e responsabilidade.

Higgins ressaltou ainda que a Palantir fornece software operacional a agências de defesa, inteligência, imigração e polícia, e que sua “ideologia pública” está diretamente ligada ao modelo de negócios da companhia.

Com informações de TechCrunch

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