Espírito Santo deve sentir pouco impacto imediato após embargo europeu à carne brasileira, dizem especialistas

A retirada do Brasil da lista de países habilitados a exportar determinados produtos de origem animal para a União Europeia, válida a partir de 3 de setembro, deve ter efeito direto limitado sobre o setor pecuário do Espírito Santo, segundo avaliações de autoridades estaduais e economistas.

Participação europeia nas vendas capixabas é pequena

Dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) apontam que, em 2025, o bloco europeu respondeu por 6,9 % do valor exportado de carne bovina capixaba, ante 6,4 % em 2024. Entre janeiro e março de 2026, a fatia chegou a cerca de 30 % devido ao baixo volume total enviado ao exterior no período.

O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, explica que fatores como a paralisação dos abates no frigorífico Frisa e outras mudanças de mercado reduziram significativamente as vendas externas em 2026. “É 30 % de algo muito pequeno, porque este ano praticamente não exportou”, afirmou.

Pressão por negociação com a União Europeia

Apesar da pouca dependência do mercado europeu, Bergoli defende ação rápida do Ministério da Agricultura para restabelecer o acesso ao bloco, considerado estratégico para a pecuária nacional.

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Efeitos possíveis no preço da carne

Tanto Bergoli quanto o economista Ângelo José Dambrosio, mestre em Gestão Econômica pela FGV, avaliam que a manutenção do embargo pode ampliar a oferta interna e, consequentemente, pressionar o preço da carne para baixo. O efeito, contudo, não seria imediato e dependeria do tempo de vigência da restrição.

Reflexos na cadeia produtiva

Dambrosio prevê impacto inicial concentrado na agropecuária capixaba, mas alerta para repercussões graduais em segmentos ligados à cadeia produtiva e a possibilidade de o episódio influenciar outros mercados internacionais, conforme evoluam as relações diplomáticas do Brasil.

Abastecimento garantido

O secretário garante que não há risco de desabastecimento no Estado nem no país. “Não exportando, haverá oferta maior no mercado interno”, concluiu.

A proibição europeia abrange carne bovina, suína, de aves, ovos, leite, mel, peixes, produtos da aquicultura e animais vivos destinados à alimentação. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não comprovou o cumprimento de exigências sanitárias relativas ao uso de antimicrobianos na produção animal. O país poderá retomar as vendas ao bloco se apresentar as informações solicitadas.

Com informações de Folha Vitória

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