Esquecimentos frequentes e dificuldade de acompanhar conversas podem sinalizar falhas na circulação sanguínea do cérebro, segundo a médica cardiologista Tatiane Mascarenhas Santiago Emerich. A especialista destaca que a demência vascular é atualmente a segunda causa mais comum de perda cognitiva no mundo, respondendo por 15% a 20% dos diagnósticos — percentual que pode ser maior em casos de demência mista.
O mecanismo é direto: o cérebro depende de suprimento constante de sangue. Quando o fluxo é interrompido por um Acidente Vascular Cerebral (AVC) de grande porte ou por múltiplos microinfartos silenciosos, áreas cerebrais sofrem lesão progressiva, afetando memória, atenção, planejamento e velocidade de raciocínio.
Lesões podem surgir anos antes dos sintomas
Exames de neuroimagem revelam que alterações em pequenos vasos, frequentemente associadas à hipertensão, podem aparecer muitos anos antes de qualquer manifestação clínica. Estudos indicam que mais de 30% dos idosos apresentam sinais dessa doença em ressonâncias magnéticas mesmo sem diagnóstico de demência.
Fatores de risco modificáveis
Dados científicos mostram que os mesmos fatores que prejudicam o coração comprometem o cérebro. A hipertensão na meia-idade pode elevar em até 60% a probabilidade de demência décadas depois. Diabetes aumenta esse risco em cerca de 50%, enquanto tabagismo e sedentarismo potencializam o problema de forma cumulativa.
Condições cardíacas como fibrilação atrial também contribuem: a arritmia favorece eventos embólicos cerebrais silenciosos e está ligada a maior chance de demência, mesmo sem AVC clínico evidente.

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Prevenção combina estilo de vida e controle clínico
Estudos de intervenção, como o FINGER, demonstram que estratégias integradas — atividade física regular, alimentação equilibrada e controle rigoroso de pressão, glicemia e colesterol — reduzem o declínio cognitivo. Para a cardiologista, cuidar da saúde cardiovascular ao longo da vida é fundamental para preservar memória, autonomia e qualidade de vida na velhice.
A especialista reforça que a prevenção da demência deve ser vista não apenas como questão neurológica, mas sobretudo cardiovascular.
Com informações de Folha Vitória







