A carga de cuidar de filhos, familiares e do lar, que historicamente recai de maneira desproporcional sobre as mulheres, é um fator que as torna mais suscetíveis à violência de gênero.
A análise é de especialistas consultados pela Agência Brasil, em um momento em que a Lei Maria da Penha, instituída para prevenir agressões e proteger mulheres da violência doméstica, completa 20 anos nesta sexta-feira (7).
A sobrecarga relacionada ao cuidado, combinada com dependências financeiras, psicológicas e emocionais, contribui para um ambiente propício à violência contra as mulheres.
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A professora Thamires da Silva Ribeiro, especialista em políticas de cuidado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca que a falta de autonomia econômica torna difícil a saída de situações de violência.
Thamires ressalta que a realidade é ainda mais desafiadora para as mulheres negras, que enfrentam não apenas a sobrecarga de trabalho, mas também desigualdades sociais profundas.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2022 mostram que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais às atividades de cuidado, enquanto os homens gastam apenas 11,7 horas.
A Política Nacional de Cuidados, estabelecida pela Lei 5.069/2024, é vista como um avanço na busca por uma divisão mais equitativa das responsabilidades entre gêneros.
A especialista em geriatria Christine Silveira Abdalla, fundadora da ONG Associação Cuidadosa, argumenta que a sobrecarga de trabalho de cuidado em si já configura uma forma de violência contra as mulheres.
Em 2025, o Brasil registrou 1.571 feminicídios, representando um aumento de 4% em relação ao ano anterior, com a maioria dos casos envolvendo parceiros ou ex-parceiros. Além disso, foram contabilizados 286,3 mil registros de agressão doméstica.
A advogada Marilha Boldt aponta que a dependência financeira e emocional dificulta a ruptura de relacionamentos abusivos, ressaltando que muitas mulheres não reconhecem seu próprio potencial devido à violência psicológica que sofrem.
A superintendente de Enfrentamento à Violência contra a Mulher no Rio de Janeiro, Claudia Araujo, destaca que o sistema patriarcal perpetua a ideia de que as mulheres devem cumprir papéis tradicionais, o que dificulta sua emancipação e o rompimento de ciclos de violência.
Claudia enfatiza a importância da Lei Maria da Penha como um meio de empoderar as mulheres e garantir que não enfrentem a violência sozinhas, além de alertar sobre a necessidade de denúncia e apoio.
Instituições oferecem canais de denúncia, como a Central de Atendimento à Mulher Ligue 180, disponível 24 horas por dia, e serviços de apoio pela Polícia Militar, além de delegacias especializadas que auxiliam na busca por proteção legal.




