Uma longa sequência de relatos sobre experiências negativas com investidores de venture capital tomou conta do X (antigo Twitter) ao longo desta semana. A discussão começou quando Greg Isenberg — podcaster, autor de newsletter e fundador do estúdio Late Checkout — contou que um sócio de um dos três maiores fundos do Vale do Silício dormiu profundamente durante uma reunião em que ele solicitava US$ 15 milhões para a Série A de sua startup.
Segundo Isenberg, 12 pessoas assistiam à apresentação no boardroom do fundo. Um dos general partners “apagou” por mais de 30 minutos e ninguém comentou o ocorrido. O desabafo viralizou e abriu espaço para dezenas de fundadores relatarem situações semelhantes.
Investidores dormindo são tema recorrente
Entre os casos mais citados está o de Mark Pincus, criador da Zynga, que comparou a cena a “Weekend at Bernie’s encontra Silicon Valley”. Em diversas publicações, empreendedores afirmam que, mesmo após cochilos ostensivos, alguns fundos chegaram a enviar term sheets.
Liz Wessel, que vendeu a WayUp e hoje é sócia da First Round Capital, contou que, em 2015, um investidor listado no ranking Midas dormiu e outro manteve expressão carrancuda durante seu pitch. Duas horas depois, ela recebeu a proposta de investimento — recusada pela equipe da startup.
O volume de relatos levou a ex-parceira da a16z Arianna Simpson a ironizar: “Os VCs estão bem? Aparentemente a narcolepsia virou epidemia”.
Desistências, ghosting e pedidos inusitados
Além dos cochilos, fundadores narraram casos em que fundos assinaram documentos e desistiram na última hora ou simplesmente sumiram. Mesmo assim, alguns investidores continuaram pedindo atualizações das empresas — e até porcentagem sobre ganhos após aquisições.
O cofundador da Uber, Travis Kalanick, relatou que seguiu um investidor até o estacionamento quando percebeu que ele tentava fugir da reunião. O pitch prosseguiu no banco do passageiro.
Comentários sobre machismo e testes de caráter
Matthew Prince, da Cloudflare, revelou que um sócio da Sequoia recusou participar da Série A da empresa por “não acreditar que uma mulher pudesse liderar uma companhia de segurança”, referindo-se à cofundadora e COO Michelle Zatlyn. Hoje, a Cloudflare soma valor de mercado de US$ 87 bilhões e receita anual projetada de US$ 2,8 bilhões para 2026.

Imagem: Getty
Prince também disse que Vinod Khosla propôs investir, mas sugeriu que ele demitisse os cofundadores e confiscasse suas ações. “Talvez fosse um teste de caráter; fiquei tão ofendido que bloqueei o número dele”, afirmou. Apesar da crítica, reconheceu a trajetória de sucesso do investidor.
Encontros com Marc Andreessen e outras curiosidades
O fundador da Cloudflare narrou ainda um encontro frustrado com Marc Andreessen: esperando uma conversa informal em uma segunda-feira, deparou-se com toda a equipe da a16z pronta para avaliá-lo. Despreparado, recebeu depois uma carta de rejeição que hoje mantém emoldurada.
Já a empreendedora e investidora Julie Fredrickson contou que, antes de chegar ao escritório de um fundo, foi alertada por um associado sobre uma formação rochosa visível da janela que se parecia com órgãos genitais masculinos. Desde então, ela chama mentalmente o fundo de “Dickrock Ventures”.
Processo opaco e dinâmica de poder
Embora alguns usuários tenham elogiado determinados VCs, o consenso nos relatos é de que o processo de captação continua opaco e assimétrico. “Se você está levantando capital agora, saiba que todo fundador tem uma história como essa. O processo é esquisito, a dinâmica de poder também”, resumiu Isenberg.
Com informações de TechCrunch





