Funcionários da Build A Rocket Boy recorrem à Justiça para obter dados coletados por software de vigilância

Trabalhadores do estúdio britânico Build A Rocket Boy (BARB), organizados pelo sindicato IWGB Game Workers Union, deram início a procedimentos legais para exigir transparência sobre a instalação do software de monitoramento Teramind em computadores corporativos sem aviso prévio.

De acordo com o sindicato, 40 funcionários apresentaram queixa formal e conseguiram a remoção do programa em março, mas a direção não revelou quais informações foram coletadas, por que o rastreamento foi implementado nem como os dados foram utilizados. Diante da falta de respostas, o grupo acionou o órgão de conciliação trabalhista ACAS e o Information Commissioner’s Office (ICO), responsável pela proteção de dados no Reino Unido.

Reclamações antigas

Os problemas no estúdio não se limitam à vigilância. Em outubro de 2025, uma carta aberta de funcionários denunciou “falta de transparência e comunicação”, “níveis insuportáveis de horas extras” e “tratamento desastroso de demissões”. Após o fraco desempenho comercial de MindsEye, lançado em 2025, a empresa dispensou 300 pessoas. Os trabalhadores também movem ação judicial que alega “listas negras ilegais”, prejuízos profissionais e ausência de consulta coletiva, pleito que, se procedente, pode custar milhões de libras à BARB.

Histórico de polêmicas

A Build A Rocket Boy foi fundada em 2016 por Leslie Benzies, ex-presidente da Rockstar Games. Em 2024, Mark Gerhard – ex-CEO da Jagex – assumiu como co-CEO. O estúdio enfrentou críticas severas em sua estreia com MindsEye, jogo comparado a Grand Theft Auto e um dos piores avaliados de 2025. Relatos de crunch intenso e cortes mal conduzidos agravaram o clima interno.

Benzies foi afastado por acusação de agressão sexual, mas já retornou ao escritório. Nos bastidores, ele e Gerhard atribuem o fracasso de MindsEye a “espionagem corporativa”, tese que, segundo Gerhard, será abordada em uma futura atualização do jogo, a qual incluirá missões e personagens inspirados em ex-funcionários supostamente envolvidos no suposto sabotagem.

Depoimentos

“Vimos o espetáculo que é a BARB, mas existe um custo humano por trás do drama e da má gestão financeira”, afirmou Spring McParlin Jones, presidente da IWGB Game Workers Branch. “Depois de suportarem a paranoia dos executivos, esses trabalhadores se uniram, forçaram a retirada do Teramind e agora exigem transparência sobre os dados coletados.”

Chris Wilson, animador cinematográfico líder e membro do sindicato, classificou a cultura da empresa como “uma das piores” que presenciou em 20 anos de carreira: “Presumimos que o software foi instalado para nos microgerenciar, fruto da desconfiança da liderança”.

Sem editora desde a ruptura com a IO Interactive, a Build A Rocket Boy não comentou publicamente as novas ações judiciais nem divulgou detalhes sobre a quantidade de dados obtidos pelo Teramind.

Com informações de GameSpot

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