John Ternus assume comando da Apple com agenda repleta de disputas regulatórias e desafios em IA

John Ternus, anunciado como sucessor de Tim Cook no cargo de diretor-executivo da Apple, herdará uma empresa avaliada em cerca de US$ 4 trilhões, mas também uma lista extensa de impasses jurídicos, pressões regulatórias e incertezas tecnológicas.

Legado de Tim Cook

Em 15 anos à frente da companhia, Cook levou o valor de mercado da Apple a multiplicar-se mais de 11 vezes e acumulou patrimônio estimado em US$ 3 bilhões, principalmente em ações de desempenho. No período, precisou equilibrar relações com duas administrações Trump e uma Biden, além de lidar com a China, tribunais e órgãos antitruste.

Privacidade em foco

A identidade da Apple como defensora de privacidade ganhou projeção em 2016, quando Cook recusou pedido do FBI para desbloquear o iPhone de um atirador em San Bernardino, Califórnia. O impasse terminou quando a agência encontrou outra forma de acesso, mas o caso fixou o posicionamento da empresa que agora passa a ser responsabilidade de Ternus.

Batalhas antitruste

Epic Games: em 2021, a Justiça dos EUA concluiu que a Apple não é monopólio, mas determinou a permissão de links para meios de pagamento externos. A companhia respondeu com comissão de 27% e foi considerada em desacato. Em 2025, o Tribunal de Apelações do Nono Circuito manteve a decisão. Um tribunal inferior ainda definirá qual taxa poderá ser cobrada, enquanto a Apple prepara recurso à Suprema Corte.
Departamento de Justiça (DoJ): em março de 2024, o DoJ processou a empresa por supostamente restringir concorrentes em apps, carteiras digitais e mensagens. O pedido de arquivamento foi negado e o processo deve se arrastar por anos.
Índia: reguladores locais apontaram abuso de posição dominante e ameaçam multar a Apple em US$ 38 bilhões, alegando falta de dados financeiros. A participação da companhia no mercado indiano é de cerca de 9%, argumento que Ternus tentará usar em defesa.

Dependência da China

Cook estruturou a produção da Apple em cadeias chinesas e aceitou exigências de Pequim, como armazenar dados do iCloud em servidores controlados pelo Estado e remover aplicativos de VPN da App Store local. Mesmo após deixar o comando diário, ele atuará como presidente executivo para auxiliar Ternus nas negociações geopolíticas.

Transição na liderança

A chegada de Ternus ocorre após saídas recentes de nomes importantes, entre eles o diretor de operações, o diretor jurídico e o responsável por design de interface. O novo CEO precisará formar rapidamente sua própria equipe de confiança.

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Imagem: Getty

Inteligência artificial como prioridade

O chefe de IA, John Giannandrea, deixará a Apple neste mês, após atrasos em uma versão mais avançada da assistente Siri. Para lançar recursos de Apple Intelligence, a empresa recorreu a modelos do Google Gemini e do ChatGPT, da OpenAI. Analistas ouvidos pela Reuters afirmam que Ternus terá de fortalecer soluções internas e reduzir dependência de terceiros em IA.

Com disputas judiciais que podem comprometer a receita da App Store e a possibilidade de novos dispositivos reduzirem a relevância do iPhone, Ternus assume a Apple em um momento de grande transformação e risco.

Com informações de TechCrunch

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