A Glow, startup de cibersegurança criada por ex-executivos da Meta e da Snowflake, tornou-se oficialmente pública nesta quarta-feira (22) com uma rodada Series A integralmente em ações de US$ 180 milhões que avaliou a empresa em US$ 1,2 bilhão.
Sediada em Palo Alto, a companhia recebeu aporte de Sequoia Capital, Cyberstarts, Greenoaks e Redpoint Ventures, além da participação de Index Ventures, Swish Ventures, Lux Capital, Operator Collective e Holly Ventures. O investimento coloca a Glow entre as raras startups de segurança que alcançam status de unicórnio antes de divulgar métricas de receita.
Foco no endpoint em meio ao avanço da IA
Fundada em 2025, a Glow desenvolve uma plataforma de segurança de endpoints voltada a monitorar e controlar softwares, agentes de IA e ferramentas de desenvolvimento que rodam nos dispositivos de funcionários. A solução utiliza agentes de IA próprios para mapear continuamente o ambiente corporativo, avaliar riscos em tempo real e aplicar políticas de proteção.
O avanço de ferramentas de IA generativa tanto por empresas quanto por cibercriminosos — que já usam recursos automatizados para phishing, criação de malwares e ataques sofisticados — motivou a aposta. A discussão ganhou força após a Anthropic apresentar o modelo Mythos, capaz de identificar e explorar vulnerabilidades de software.
Equipe de peso
O cofundador e CEO Roi Tiger, ex-vice-presidente de engenharia da Meta, lidera a startup ao lado de Omer Singer (ex-chefe de estratégia de cibersegurança da Snowflake), Ophir Arie (ex-vice-presidente de P&D da Claroty) e Arnon Joseph (ex-liderança de engenharia da Meta). A operação conta ainda com Emily Heath como diretora de operações; ex-CISO da United Airlines e da DocuSign, ela integrou o conselho da Wiz até a aquisição de US$ 32 bilhões pela Google.
Primeiros clientes e tecnologia embarcada
Mesmo saindo do modo stealth apenas agora, a Glow informa já atender organizações dos setores de saúde, varejo e serviços financeiros, sem revelar nomes ou quantidade. Em média, as implantações cobrem dezenas de milhares de dispositivos em companhias globais.

Imagem: Internet
A plataforma aproveita modelos da Anthropic e do Gemini, da Google, via Amazon Bedrock, enquanto desenvolve software próprio para inserir contexto corporativo e aumentar a confiabilidade das análises de segurança. Segundo Tiger, o sistema já bloqueou pacotes npm maliciosos, identificou agentes de IA tentando importar esses componentes e detectou máquinas sem ferramentas de detecção e resposta instaladas ou com funcionalidade reduzida.
Mercado competitivo
A Glow entra em um segmento dominado por empresas como CrowdStrike, Microsoft, SentinelOne e Palo Alto Networks. Para Tiger, as soluções atuais concentram-se em identificar ameaças depois que elas surgem, enquanto a Glow quer impedir previamente a entrada de softwares ou agentes considerados de risco.
Com cerca de 100 funcionários — 70% deles em Israel e o restante nos Estados Unidos —, a empresa aposta que a chegada de plataformas “nativas de IA” abrirá espaço para uma nova categoria de proteção de endpoints, embora o mercado ainda esteja avaliando os impactos da IA cada vez mais avançada.
Com informações de TechCrunch











