O governo francês anunciou que começará a migrar parte dos computadores oficiais que hoje utilizam o sistema operacional Windows para distribuições Linux, medida voltada a reduzir a dependência de tecnologia norte-americana e fortalecer a chamada “soberania digital”.
Em comunicado, o ministro David Amiel afirmou que a iniciativa busca “retomar o controle do nosso destino digital” e que a administração pública “não pode mais aceitar não ter domínio sobre seus dados e infraestrutura”.
Sem cronograma definido
Até o momento, não foi divulgado um calendário para a mudança nem quais distribuições Linux serão adotadas. O processo começará pela Diretoria Interministerial do Digital (DINUM), agência responsável pela estratégia tecnológica do Estado. Procurada, a Microsoft não comentou.
Contexto europeu
A decisão faz parte de um movimento mais amplo na Europa para diminuir a dependência de provedores estrangeiros. Em janeiro, o Parlamento Europeu aprovou relatório que orienta a Comissão Europeia a mapear áreas onde o bloco pode reduzir vínculos com fornecedores externos.
Tensões com Washington
Desde que Donald Trump reassumiu a Presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2025, o governo norte-americano tem ampliado sanções e pressões sobre líderes internacionais, inclusive congelando contas bancárias e interrompendo o acesso de alvos a serviços tecnológicos dos EUA. Esse cenário de instabilidade é citado em Paris como motivo adicional para reforçar plataformas nacionais ou de código aberto.

Imagem: Internet
Outras mudanças em curso
Em 2025, a França já havia decidido abandonar o Microsoft Teams nas videoconferências oficiais, substituindo-o pelo Visio, ferramenta francesa baseada no software de código aberto Jitsi. O governo também pretende transferir sua plataforma de dados de saúde para uma infraestrutura considerada de confiança até o fim deste ano.
Com a adoção do Linux, as autoridades francesas esperam ampliar o controle sobre dados sensíveis e reduzir custos de licenciamento, embora detalhes técnicos e prazos ainda dependam de estudos internos.
Com informações de TechCrunch







