São Paulo, 22 de julho de 2026 – A IBM divulgou nesta quarta-feira seus resultados trimestrais e confirmou o desempenho fraco já antecipado ao mercado. A companhia de 115 anos faturou US$ 17,2 bilhões no período, com lucro bruto de US$ 9,9 bilhões (margem de 58%) e lucro líquido de US$ 2,2 bilhões, mas ficou aquém das projeções de Wall Street.
Na semana passada, o presidente-executivo Arvind Krishna enviou carta aos acionistas avisando que a receita da unidade de infraestrutura, considerada vital para o negócio, viria “pior que o esperado”. O comunicado provocou queda imediata de 25% nas ações, a maior retração diária da história da empresa sob seus seis anos de gestão.
Previsão anual revisada para baixo
No balanço, a IBM também reduziu a estimativa de crescimento para todo o ano, indicando que o mau resultado afetará os próximos trimestres. O principal fator foi a queda de 42% na receita do segmento de mainframes, tradicional gerador de caixa da companhia.
Efeito em cascata
O diretor financeiro Jim Kavanaugh explicou, na teleconferência com investidores, que para cada dólar obtido com hardware de mainframe a empresa gera outros três dólares em software associado. A desaceleração, portanto, impactou duplamente as contas.
Clientes adiam compras
Segundo Krishna, “dezenas” de clientes que planejavam adquirir novos mainframes no trimestre postergaram a compra. Esses sistemas custam de centenas de milhares a milhões de dólares e, com contratos de manutenção e software, movimentam valores ainda maiores.
O executivo atribuiu o adiamento ao aumento de 15% a 30% nos preços de componentes para data centers e PCs, consequência da forte demanda por infraestrutura de inteligência artificial. Diante dos custos elevados, as empresas optaram por direcionar orçamento a outros equipamentos.

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Fabricantes como Dell e HP, além da Apple, já haviam alertado para a alta de preços em itens como memória devido ao mesmo fenômeno.
Confiança na recuperação
Apesar do revés, Krishna afirmou não haver indícios de migração dos clientes para outras plataformas e disse que alguns já retomaram pedidos no trimestre atual. “Não vemos evidência de que estejam abandonando o mainframe”, declarou.
A indústria de tecnologia há décadas prevê o fim dos mainframes, mas, segundo a IBM, nem mesmo a onda de IA tirará esses sistemas de cena tão cedo.
Com informações de TechCrunch











