Semelhanças entre Brasil e África do Sul se refletem em campo, na economia e na política

A seleção da África do Sul entra em campo nesta quinta-feira, 11 de junho, às 16h, na Cidade do México, para a estreia na Copa do Mundo de 2026 contra os anfitriões mexicanos. Assim como o Brasil, os Bafana Bafana jogarão trajando verde e amarelo, mas a afinidade entre os dois países vai muito além das cores do uniforme.

Favoritismo no futebol

Ex-técnico da seleção sul-africana entre 2008 e 2009, Joel Santana vê evolução no time e aposta no bom desempenho no torneio. “Depois que nós, brasileiros, passamos por lá, o nível do futebol deles subiu gradativamente. Vou apostar neles até o final”, afirmou à Agência Brasil.

Parceria econômica estagnada

Fora dos gramados, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, quer transformar a relação bilateral. Em visita a Brasília, em março, ele destacou que Brasil e África do Sul são as nações mais industrializadas de seus continentes e deveriam “cooperar em um nível muito mais alto”. O comércio entre os dois países gira em torno de US$ 2,3 bilhões há quase duas décadas, valor que, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, poderia chegar a US$ 10 bilhões.

Atualmente, o Brasil exporta principalmente carne de frango, açúcar e veículos, e importa prata, platina e outros minerais. Recentemente, os governos firmaram acordo para ampliar o turismo — com foco na conectividade aérea — e fecharam parcerias técnicas em agropecuária, voltadas ao controle da febre aftosa e ao reforço da vigilância sanitária animal.

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Convergência diplomática

Na mesma visita, Ramaphosa apoiou o posicionamento brasileiro em defesa de soluções pacíficas para os conflitos no Oriente Médio. De acordo com o pesquisador William Gonçalves, do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia, o histórico de luta contra o apartheid confere à África do Sul “autoridade moral” para condenar violações de direitos humanos.

Em 2015, o país africano ajudou a ONU a aprovar as Regras Nelson Mandela, que proíbem tortura em sistemas prisionais e garantem julgamentos justos — aspectos negados ao próprio Mandela durante o regime de segregação.

Aliança pelo desenvolvimento

Após a transição democrática dos anos 1990, a África do Sul consolidou avanços econômicos, reduziu desemprego e inflação e manteve a maior economia do continente, embora a desigualdade persista. Na década de 2000, a aproximação com o Brasil ganhou força, baseada em metas comuns de crescimento, combate à pobreza, enfrentamento do racismo e promoção do desenvolvimento sustentável.

Único país africano com geração comercial de energia nuclear, a África do Sul também coopera com o Brasil em saúde (HIV/Aids) e nas discussões climáticas. Na COP de 2025, em território brasileiro, o governo sul-africano apoiou a criação do Fundo de Florestas Tropicais proposto por Brasília.

Para Gonçalves, a parceria beneficia ambos os lados: “Os dois buscam consolidar suas democracias, crescer economicamente e ampliar influência global”.

Com informações de Agência Brasil

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