Durante a Cúpula do G7, realizada na quarta-feira, 17 de junho, líderes como o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, alertaram para o risco de os Estados Unidos cortarem, a qualquer momento, o acesso de outros países aos principais modelos de inteligência artificial desenvolvidos por empresas norte-americanas.
Em um almoço com chefes de Estado e executivos do setor, entre eles o CEO da Anthropic, Dario Amodei, o CEO da OpenAI, Sam Altman, e o presidente Donald Trump, Macron afirmou que um eventual “desligamento” dos sistemas poderia prejudicar as economias europeias e, ao mesmo tempo, afetar as próprias companhias de IA dos EUA.
A preocupação ganhou força após o governo Trump impedir a exportação dos mais novos modelos da Anthropic, Mythos 5 e Fable 5, por motivos de segurança nacional. A decisão foi tomada depois que a Amazon relatou à Casa Branca a possibilidade de contornar certos mecanismos de proteção. Especialistas em cibersegurança observam, porém, que capacidades semelhantes permanecem disponíveis em outras plataformas, inclusive da OpenAI.
Para Modi, citado pelo Financial Times, democracias precisam de acesso irrestrito a tecnologias de IA avançada para proteger infraestruturas críticas. O episódio evidenciou, segundo empresas estrangeiras, a vulnerabilidade de depender de provedores norte-americanos que podem suspender serviços sem aviso.
“A recente restrição aos modelos da Anthropic confirma o que já sabíamos: depender de um punhado de grandes empresas de tecnologia compromete a resiliência de nações democráticas”, declarou Aidan Gomez, cofundador e CEO da canadense Cohere.

Imagem: Internet
Na reunião, os líderes discutiram a criação de um esquema de “parceiros confiáveis” que permitiria a países e companhias fora dos EUA acessar modelos avançados de fornecedores como Anthropic e OpenAI, contornando futuras restrições. O programa exigiria que os beneficiários utilizassem as ferramentas para reforçar defesas contra competidores como a China, mas detalhes sobre alcance e critérios ainda não foram definidos.
Macron defendeu que Washington apoie a proposta e amplie o acesso ao Mythos 5, argumentando que ninguém investiria em tecnologia dos EUA se o fornecimento puder ser interrompido repentinamente. O debate ocorre no momento em que Europa e outros países buscam “soberania digital”, desafio que se intensifica diante da liderança dos modelos norte-americanos.
Com informações de TechCrunch












