Depois de Tesla e Ford, a General Motors (GM) passou a mirar o segmento de baterias estacionárias. A montadora anunciou nesta terça-feira (10) o desenvolvimento de uma nova química de células de sódio-íon, voltada exclusivamente para aplicações de armazenamento de larga escala.
O movimento acontece em meio à estagnação das vendas de veículos elétricos (EVs) nos Estados Unidos e ao crescimento acelerado do mercado de sistemas fixos de energia, cujas vendas dobraram nos últimos dois anos. A Associação das Indústrias de Energia Solar projeta que as instalações anuais ultrapassem 110 GWh até 2030, o dobro do volume atual, mesmo após a redução de incentivos pelo One Big Beautiful Bill Act.
Três vetores de expansão
Kurt Kelty, vice-presidente de baterias e sustentabilidade da GM, aponta três fatores que puxam a demanda: a construção de novos centros de dados para inteligência artificial — cuja necessidade de eletricidade pode triplicar até o fim da década —, a eletrificação do transporte e a modernização de processos industriais e de climatização.
Domínio da Tesla e entrada de startups
Com 57 GWh instalados em 2025, a Tesla ficou com 82% do mercado global de armazenamento de energia. A receita anual da empresa no segmento de geração e armazenamento dobrou desde 2023, com margens brutas próximas de 30% — o dobro das obtidas com a venda de EVs e três vezes o lucro médio de montadoras tradicionais, cuja margem, no caso da GM, tem girado em torno de 11% nos últimos 15 anos.
Além das montadoras, startups também correm para capturar fatias desse setor. A Base Power levantou US$ 1 bilhão em rodada Série C em outubro para expandir suas operações fora do Texas; a Lunar Energy arrecadou US$ 232 milhões para vender baterias residenciais; e a Lightship, fabricante de trailers elétricos, passou a oferecer baterias móveis para canteiros de obras.
Por que sódio-íon?
Segundo a GM, o sódio é barato, abundante e dispensa sistemas ativos de resfriamento, além de suportar um número maior de ciclos de carga e descarga comparado às baterias de íon-lítio. Outro ponto favorável é a ausência de domínio chinês sobre a cadeia de suprimentos desse material, ao contrário do que ocorre com o cobalto.
“Isso nos dá um caminho para resiliência na cadeia e custos mais baixos”, afirmou Andy Oury, gerente de planejamento de negócios da companhia. Os primeiros produtos comerciais, contudo, só devem chegar ao mercado no fim da década. Apesar disso, Kelty garante que a empresa estuda formas de acelerar o cronograma.

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Outras apostas químicas
Para não desviar a produção atual de íon-lítio, destinada a veículos, a GM optou por desenvolver novas tecnologias em paralelo. Entre elas está a química lithium-manganese-rich (LMR), prevista para 2028, que promete manter a autonomia próxima da atual e reduzir em 10% o custo dos EVs — aproximando o preço dos carros elétricos ao dos modelos a combustão.
Em longo prazo, a própria bateria de sódio-íon pode servir a veículos mais baratos, ainda que resulte em packs mais pesados e com menor alcance. “Não estamos descartando essa aplicação”, disse Kelty.
Mesmo com o risco de uma eventual desaceleração nos investimentos em inteligência artificial, Paul Menson, diretor de comercialização de armazenamento de energia, acredita que a estratégia valerá a pena. “Nenhum mercado cresce para sempre; por isso, é preciso ter o melhor produto”, declarou.
Por ora, a GM segue ajustando prazos e buscando parceiros para entrar no setor “o mais rápido possível”, concluiu Kelty.
Com informações de TechCrunch







