O Espírito Santo contabiliza 105 processos minerários voltados à pesquisa de terras raras, ocupando a quinta colocação entre os estados brasileiros, de acordo com dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Agência Nacional de Mineração (ANM).
As áreas pesquisadas totalizam 41,6 mil hectares e concentram-se nas regiões Norte e Noroeste do estado. A liderança nacional é da Bahia, com 999 processos, seguida por Goiás (536), Minas Gerais (467) e Pernambuco (139). O território capixaba aparece à frente de São Paulo, que registra 76 pedidos.
Situação dos processos no Espírito Santo
Nenhum dos 105 processos locais atingiu a fase de lavra. Do total, 81 possuem autorização de pesquisa em vigor, 22 aguardam aprovação da ANM e 2 áreas carecem de titular ativo, estando classificadas como aptas para disponibilidade.
O volume de pedidos no estado avançou rapidamente nos últimos dois anos: foram 58 novas solicitações em 2024, 28 em 2025 e outras 7 apenas nos cinco primeiros meses de 2026. O pico de 2024 coincidiu com a crescente valorização geopolítica dos minerais críticos, impulsionada pela disputa entre Estados Unidos e China pelo controle das cadeias de suprimentos.
Panorama nacional e mercado global
No Brasil, o salto é ainda mais expressivo. Entre 1975 e 2020, foram protocolados pouco mais de 250 processos relacionados a terras raras. Em 2026, esse número chegou a 2.758. Somados, os pedidos feitos em 2025 e 2026 abrangem uma área quase oito vezes maior que a cidade de São Paulo.
Terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos, como cério, neodímio e samário, utilizados na produção de veículos elétricos, turbinas eólicas, chips de computador e equipamentos de defesa. Apesar de não serem escassos na crosta terrestre, sua extração exige processos físicos e químicos complexos e caros.

Imagem: Internet
O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses minerais, com 21 milhões de toneladas (23% do total global), segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Ainda assim, respondeu por apenas 0,51% da produção mundial em 2025, ocupando o nono lugar no ranking de produtores.
Empresas chinesas concentram cerca de 60% da extração global e quase 90% do refino. Em 2025, a China endureceu as restrições de exportação de elementos médios e pesados, levando os Estados Unidos a buscar fornecedores alternativos. Nesse contexto, o Brasil ganhou destaque. Em agosto do ano passado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou a possibilidade de negociar esses minerais com os EUA. Pouco depois, a americana USA Rare Earth adquiriu a mineradora Serra Verde, em Goiás, por aproximadamente US$ 2,8 bilhões.
Potencial capixaba
No Espírito Santo, estudos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) confirmaram a presença de cério (Ce) e samário (Sm) no solo do estado, reforçando o potencial de exploração futura.
Com informações de Folha Vitória





