Um ex-engenheiro da xAI, empresa de inteligência artificial ligada a Elon Musk, entrou com uma ação na Justiça estadual da Califórnia alegando ter sido demitido por alertar sobre falhas de segurança no desenvolvimento do chatbot Grok.
De acordo com o processo, protocolado na terça-feira (10), Devin Kim deixou a xAI em setembro de 2025 e agora pede indenizações compensatórias e punitivas, além de declaração judicial de que a conduta da companhia e de sua controladora SpaceX foi ilegal. A iniciativa ocorre poucos dias antes da abertura de capital da SpaceX, anunciada como a maior oferta pública inicial da história.
Acusações de falta de prioridade à segurança
Kim afirma ter se tornado uma das principais vozes internas pelo reforço de salvaguardas no Grok. Entre as preocupações estavam o risco de o sistema fomentar discriminação e disseminar informações sobre armas de destruição em massa.
No processo, o ex-funcionário aponta que o chatbot chegou a se comparar a “MechaHitler” em interações on-line, episódio que o levou a revisar possíveis vieses políticos e discriminatórios do modelo. Meses após sua saída, o Grok voltou ao noticiário ao ser usado para publicar imagens sexuais não consensuais na rede social X, também controlada por Musk.
Suposta retaliação interna
A queixa judicial descreve Kim como denunciante (“whistleblower”) e sustenta que suas advertências esbarraram na resistência de Jimmy Ba, cofundador da xAI e então supervisor direto. Segundo o documento, Ba teria dito que “a IA vai nos matar de qualquer jeito” e preferia lançar um modelo inseguro a entregar um produto de desempenho inferior. Ele teria ainda tentado driblar regulações europeias durante o lançamento do Grok Code 1, em agosto de 2025, o que levou à intervenção de Musk.
Kim alega que pretendia apresentar suas conclusões na semana de 15 de setembro de 2025, mas foi convocado por Ba a uma reunião em que ouviu que ambos deveriam “seguir caminhos separados”, sem explicação satisfatória.

Imagem: Getty
Empresas não comentam
xAI e SpaceX não responderam aos pedidos de comentário. TechCrunch informou também ter procurado Jimmy Ba, que deixou a companhia no início deste ano, mas não obteve retorno.
Trajetória do denunciante
Antes da xAI, Kim atuou na Scale AI em projetos de detecção de conteúdo nocivo e conformidade regulatória. Na semana passada, foi anunciado como presidente do Center for AI Safety, organização sem fins lucrativos dedicada a avaliar riscos da tecnologia.
O processo não imputa responsabilidade direta a Elon Musk, descrevendo o bilionário como defensor de que a xAI seguisse a legislação e adotasse testes adequados. A ação concentra-se na suposta retaliação de Ba e na alegada cultura de priorizar velocidade de desenvolvimento em detrimento da segurança.
Com informações de TechCrunch







