Empresário do Vale do Silício entra na disputa para tirar Ro Khanna do Congresso

Ethan Agarwal, 40 anos, empreendedor de tecnologia formado na Wharton School e ex-consultor da McKinsey, oficializou nesta terça-feira (3) sua candidatura ao 17º distrito congressual da Califórnia, atualmente representado pelo democrata Ro Khanna.

A decisão abre caminho para o que pode se tornar uma das primárias mais bem financiadas do ciclo eleitoral de 2026. Khanna, 49, é apontado como possível presidenciável em 2028 e defende um imposto anual de 5% sobre fortunas bilionárias, proposta apresentada em parceria com o senador Bernie Sanders e estimada em US$ 4,4 trilhões de arrecadação em dez anos. A medida irritou parte dos principais investidores do Vale do Silício, que agora se mobilizam a favor do desafiante.

Do governo estadual ao Congresso

Agarwal havia anunciado, em julho passado, intenção de disputar o governo da Califórnia. Mudou de plano, segundo disse ao TechCrunch, depois que “candidatos fortes” entraram na corrida estadual, como o prefeito de San José, Matt Mahan. O apoio declarado de Khanna ao imposto sobre grandes fortunas, tuitado em dezembro, teria sido “a gota d’água” para o empresário decidir concorrer à Câmara.

Apoio de pesos-pesados da tecnologia

O postulante afirma que protocolará os documentos de campanha nesta quarta-feira (4). Entre os primeiros financiadores citou Garry Tan (CEO da Y Combinator) e Stanley Tang (cofundador da DoorDash), além de outros nomes do setor que, segundo ele, serão divulgados “nos próximos dias e semanas”.

Propostas fiscais e prioridades

Contrário ao tributo sobre bilionários, Agarwal defende:

  • tributar empréstimos lastreados em ativos, prática usada por grandes fortunas para obter liquidez sem vender ações;
  • avaliar aumento do imposto estadual sobre ganhos de capital, hoje em 13,4%;
  • elevar substancialmente o IPTU de imóveis mantidos apenas como investimento.

Se eleito, promete priorizar três medidas: proibir negociação de ações por congressistas e familiares, vetar doações de comitês corporativos (PACs) e instituir limites de mandato. Agarwal afirma que venderá todo o seu portfólio no primeiro dia de mandato e que não cumprirá mais de cinco legislaturas.

Acusações a Khanna

O empresário acusa o deputado de ser “o democrata que mais negociou ações na história”, citando papéis de tabaco, petróleo, farmacêuticas e big techs. Khanna rebate que não possui nem movimenta ações próprias; segundo ele, os negócios pertencem a um fundo irrevogável em nome da esposa, criado antes do casamento e administrado por terceiros, dentro das regras do Escritório de Ética Governamental.

Empresário do Vale do Silício entra na disputa para tirar Ro Khanna do Congresso - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

Regulação de tecnologia

Sobre plataformas digitais, Agarwal considera necessário reavaliar a Seção 230 para lidar com impactos na saúde mental de adolescentes, mas rejeita responsabilidade total das redes pelo conteúdo de usuários. Em inteligência artificial, argumenta que os EUA devem manter os modelos mais poderosos por questão de segurança nacional e apoia a criação de uma agência independente nos moldes da FDA, desde que “apolítica”.

Estrategia de campanha

Agarwal diz dedicar “110%” do tempo à disputa e pretende concentrar esforços locais: visitar escolas de educação complementar em chinês e hindi, celebrar datas como Holi, Ano-Novo Chinês e Purim, além de dialogar com pequenos negócios. “Khanna busca projeção nacional; eu fico na Califórnia”, resume.

Ex-fundador da plataforma de exercícios Aaptiv, vendida em 2021, e cofundador da fintech Coterie (investida pela Andreessen Horowitz), Agarwal destaca que 5 mil crianças vivem abaixo da linha da pobreza no distrito mais rico dos EUA. Embora cite erradicar a pobreza infantil na região, a meta não entrou em seu trio principal de compromissos legislativos.

Khanna, que chegou ao Congresso em 2016 após apoio de nomes como Marc Andreessen e Sheryl Sandberg, possui hoje mais de US$ 15 milhões em caixa de campanha. O embate entre o ex-queridinho do Vale e o novo favorito dos bilionários deverá testar o apelo de ambos junto ao eleitorado em 2026.

Com informações de TechCrunch

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