Motor BMW S38: história, especificações e pontos de atenção

Munique (Alemanha) – Entre 1984 e 1995, o BMW S38 foi o coração mecânico de modelos icônicos como o M5 das gerações E28 e E34, além do cupê M635CSi/M6. Naturalmente aspirado, o seis-cilindros em linha manteve viva a herança de alto giro da divisão M antes de a marca adotar turbocompressores e sistemas de válvulas variáveis.

Origem na pista

O S38 derivou diretamente do M88, propulsor de 3,5 litros projetado no fim dos anos 1970 para o supercarro BMW M1. Depois do encerramento do projeto M1, a engenharia da Motorsport adaptou o conjunto para uso diário, mantendo seis corpos de borboleta individuais e cabeçote de quatro válvulas por cilindro.

Evolução cronológica

S38B35 (1984-1991)

• Cilindrada: 3.453 cm³

• Potência: 286 cv a 6.500 rpm

• Torque: 34,7 kgfm a 4.500 rpm

• Taxa de compressão: 9,8:1

• Aplicações: E28 M5 e E24 M635CSi/M6

S38B38 (1992-1995)

• Cilindrada: 3.795 cm³

• Potência: 340 cv a 6.900 rpm (versão europeia)

• Torque: 40,8 kgfm a 4.750 rpm

• Taxa de compressão: 10,0:1

• Aplicação: E34 M5 (a configuração norte-americana entregava 310 cv para atender às normas locais de emissões)

Modelos equipados

E28 M5 (1984-1988): ex-sedã mais rápido do mundo em seu lançamento.

E24 M635CSi/M6 (1984-1989): combinação de desempenho esportivo e proposta gran turismo.

E34 M5 (1988-1995): última aplicação do S38 e única a oferecer carroceria Touring em alguns mercados europeus.

Confiabilidade e problemas recorrentes

Ajuste de válvulas: sistema mecânico (shims) exige conferência a cada 48 mil km; descuido pode danificar o trem de válvulas.

Correia dentada: intervalo de troca entre 48 mil e 64 mil km; falha provoca interferência entre pistões e válvulas.

Bomba-d’água e termostato: componentes devem ser substituídos preventivamente para evitar superaquecimento.

Sincronismo dos corpos de borboleta: seis TBI precisam ser balanceados para marcha-lenta estável.

Vazamentos de óleo: juntas da tampa de válvulas e do cárter são pontos críticos em motores com alta quilometragem.

Mangueiras de vácuo: borrachas ressecadas afetam rendimento e eficiência do freio a vácuo.

Dicas de manutenção

• Utilizar óleo sintético 10W-60, trocado a cada 8.000 km ou um ano.

• Registrar todos os ajustes de válvula no histórico do veículo.

• Realizar teste de compressão e “leak-down” antes da compra.

• Fazer flush do sistema de arrefecimento a cada dois anos.

Potencial de preparação

Mesmo concebido próximo ao limite do que se permitia para motores aspirados da época, o S38 aceita incrementos modestos:

• Reprogramação da central eletrônica pode acrescentar até 25 cv no B38.

• Comandos de válvula esportivos elevam a potência em rotações altas, mas reduzem a dirigibilidade em baixa.

• Polimento e ampliação dos corpos de borboleta, combinados a escapamento de maior vazão, podem levar o B38 a cerca de 385 cv sem indução forçada.

• Projetos com turbo são raros, caros e pouco recomendados por envolver alterações extensas em motores hoje valorizados por colecionadores.

Legado

Produzido artesanalmente em Garching, cada S38 saía de fábrica com a assinatura do técnico responsável, fato que contribui para o prestígio atual do modelo. Embora posteriores S54 e S58 superem desempenho e eficiência, entusiastas elogiam a resposta imediata e o timbre característico do S38 em rotações elevadas.

Com raridade crescente e valores de mercado em alta, especialistas recomendam priorizar exemplares com histórico completo de manutenção, ajuste de válvulas recente e correia dentada nova.

Com informações de BMWBlog

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